Uma fotografia de um tamanduá-bandeira resgatado após ser atropelado em uma rodovia, feita pelo brasileiro Fernando Faciole, está entre as vencedoras do BigPicture 2026, concurso internacional de fotografia de natureza promovido pela Academia de Ciências da Califórnia. A imagem venceu a categoria "Homem e Natureza". Halo solar: fenômeno incomum colore o céu de Salvador, veja fotos 'Habilidades úteis': colégio em MG viraliza nas redes com aula de ‘como trocar chuveiro’ a alunos do Ensino Médio Intitulada “Órfão da Estrada”, a foto mostra o animal acompanhando um tratador em um centro de recuperação em Belo Horizonte. O tamanduá havia sido atropelado e passou por tratamento antes de ser devolvido à natureza. A imagem foi produzida no contexto de um projeto voltado à recuperação de animais silvestres e à redução de atropelamentos em rodovias. Depois de se recuperar dos ferimentos, o tamanduá foi solto novamente. Segundo Faciole, o registro busca dar visibilidade aos desafios enfrentados pelo tamanduá-bandeira no Brasil, como a fragmentação de habitats e os atropelamentos, além de mostrar iniciativas de conservação da espécie.
O concurso deste ano recebeu mais de 7.400 fotografias enviadas por profissionais de 64 países. Os jurados escolheram vencedores em sete categorias, além do grande prêmio. A mesma fotografia de Faciole também foi premiada no Wildlife Photographer of the Year 2025, do Museu de História Natural de Londres. “Órfão da Estrada” foi escolhida entre mais de 60 mil inscrições e venceu o "Prêmio de Impacto", categoria especial que reconhece imagens associadas a histórias de conservação e esperança, além de receber menção de destaque na categoria "Fotojornalismo".
Urso-polar leva o prêmio principal O grande vencedor do BigPicture 2026 foi o fotógrafo norueguês Audun Rikardsen, com a imagem “A Seal's Last Sight” (“A última visão de uma foca”). Imagem “A Seal's Last Sight” (“A última visão de uma foca”) Audun Rikardsen/Divulgação A fotografia mostra um urso-polar olhando diretamente para uma câmera posicionada sob um buraco no gelo usado por focas para respirar. O registro foi feito em Svalbard, no Ártico, após mais de três anos de tentativas do fotógrafo para conseguir documentar a caça a partir da perspectiva da presa. Para fazer a imagem, Rikardsen instalou uma câmera submersa acionada por sensor em uma área onde havia marcas de ursos-polares. Por volta das 4h, um animal se aproximou, rompeu a fina camada de gelo e colocou a cabeça diante da lente. Outras imagens premiadas Na categoria "Vida Aquática", o vencedor foi Anton Sorokin, com uma fotografia de uma salamandra-da-Califórnia segurando uma massa de ovos em um lago nos Estados Unidos.
Fotografia "Egg Clutch" ("Postura de Ovos") Anton Sorokin/Divulgação Já a categoria "Vida Selvagem Terrestre" foi vencida pelo italiano Marco Gaiotti, que registrou um babuíno-gelada saltando próximo a um penhasco no Parque Nacional das Montanhas Simien, na Etiópia. Imagem "The Leap" ("O Salto") Marco Gaiotti/Divulgação Na categoria "Vida Alada", Philipp Egger fotografou dois filhotes de bufo-real no Vale Venosta, no norte da Itália. A imagem mostra as duas aves lado a lado, com uma delas de bico aberto. Segundo o fotógrafo, o comportamento era um pedido de comida, e não uma disputa entre os animais. A categoria "Paisagens, Águas e Flora" teve como vencedora uma fotografia de Juan Garcia Lucas feita no Río Tinto, na Espanha. A composição cria uma ilusão de ótica que faz a paisagem parecer, à primeira vista, a entrada de uma caverna. Em "Arte da Natureza", Georgina Steytler venceu com uma longa exposição de insetos voando ao redor de luzes durante a noite, em Kununurra, no norte da Austrália. Os movimentos dos animais aparecem na fotografia como linhas luminosas. A categoria de melhor série fotográfica foi vencida pela americana Ami Vitale, da National Geographic, com “Pandas Gone Wild” ("Pandas à Solta"). O trabalho reúne imagens feitas durante três anos acompanhando o processo de preparação de pandas-gigantes criados sob cuidados humanos para uma eventual vida na natureza. Para evitar que os animais se acostumassem à presença humana, Vitale chegou a usar uma fantasia de panda impregnada com o cheiro dos animais durante o trabalho em centros de conservação na China. A mostra com as imagens vencedoras do BigPicture 2026 está em exibição na Academia de Ciências da Califórnia, em San Francisco, desde 10 de setembro.
O Globo