Debate da Globo em SP: Tarcísio e Haddad apostam no 'economês' e travam embate nacional sobre segurança e corrupção

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o adversário Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda do governo Lula, travaram embates sobre temas nacionais como corrupção, crime organizado e crescimento do deficit fiscal, e abusaram de termos técnicos da economia durante o debate da TV Globo na noite de terça-feira. Candidatos tiveram embates sobre segurança e corrupção, além de festival de termos técnicos O encontro também foi marcado por bate-bocas mais acirrados. No terceiro bloco, Haddad pressionou e interrompeu Tarcísio ao questioná-lo repetidas vezes sobre se “entregou ou não” metas na educação. Tarcísio deu o troco pouco depois, ao surpreender Haddad dizendo que o estado recebeu um “selo ouro” do Ministério da Educação, reconhecimento que Haddad aparentemente desconhecia. A plateia teve a presença de candidatos ao Senado. Um dia após desistir da candidatura para evitar dividir votos da direita, como desejava Tarcísio, Ricardo Salles (Novo) participou da comitiva do governador. Também estavam os dois aliados que seguem na disputa: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Haddad chegou acompanhado das candidatas de sua chapa, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Momento ‘economês’ A dupla protagonizou uma briga de números e termos técnicos no segundo bloco, quando Haddad cobrou transparência sobre as renúncias fiscais do estado e Tarcísio reclamou do deficit primário durante os três anos do governo Lula. — O Tribunal de Contas diz que (a renúncia fiscal em SP) é uma caixa preta, só o governador e algumas pessoas sabem, e recomenda abrir, como fizemos no governo federal. Abra as contas, CNPJ por CNPJ de todos os bilionários que têm algum tipo de incentivo — provocou o petista. O governo de São Paulo teve custo previsto de R$ 85,6 bilhões com renúncias fiscais a empresas paulistas este ano. Tarcísio negou falta de transparência afirmando ter criado um campo específico na nota fiscal eletrônica com a identificação dos benefícios tributários. O governador foi para o ataque abordando o endividamento e o “recorde de recuperação judicial” de empresas no país. E perguntou que conselhos o ex-ministro da Fazenda daria para o presidente da República sobre ajuste fiscal. — O que você tem para falar com os pais de família que estão perdendo os seus empregos? — indagou Tarcísio, que depois acusou o adversário de praticar “negacionismo fiscal”. O petista alegou que recebeu “calotes” de Paulo Guedes, ministro da Economia do governo Bolsonaro, mas que não “discriminou” o rival nas urnas, que o teria procurado em seu gabinete para pedir verbas. — Sabe que tem dois calotes na história do Brasil, o do Collor e o do Bolsonaro. Collor na poupança e Bolsonaro nos precatórios. Daí para frente, os dois passaram a discutir sobre relação dívida x PIB, deficit orçamentário, arcabouço fiscal, despesa primária e reforma tributária, sem detalhar o que significam os conceitos. Em certo momento, chegaram a protagonizar um embate sobre as diferenças entre o deficit orçamentário e o deficit fiscal. Ainda na economia, eles divergiram sobre os resultados do governo de Javier Milei, na Argentina. Milton Leite e PCC Logo na primeira pergunta, Haddad escolheu como tema a segurança pública, uma bandeira de Tarcísio, criticando um suposto avanço do Comando Vermelho na região de Piracicaba, onde o Ministério Público prendeu suspeitos apontados como integrantes do “Bonde do Magrelo”. — Onde estão essas pessoas agora? Estão presas, porque a nossa polícia trabalhou — rebateu Tarcísio, que defendeu sua gestão a partir de dados de criminalidade em queda, como roubo de carga, e celebrou a dispersão do fluxo da Cracolândia. O petista atribuiu o sucesso das operações à atuação do MP e alfinetou o adversário porque ele dividiu o palanque com Milton Leite (União), ex-vereador preso por suspeitas de comandar uma empresa de ônibus que lavaria dinheiro para o PCC. — Quinze dias atrás, você estava pedindo voto para os filhos do Milton Leite, que controla a prefeitura inteira, em particular o sistema de transportes da capital. É uma espécie de prefeito sombra — disse Haddad. Tarcísio devolveu alegando que Haddad esteve junto com a irmã de Léo do Moinho, apontando como chefe do tráfico de drogas, em um evento do governo federal. Disse ainda que a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente Lula, fez menções positivas a ele na internet. Ela é acusada de tráfico de influência no governo federal. Bate-bocas No terceiro bloco, Haddad pressionou Tarcísio diante da queda de posições da rede paulista no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Ministério da Educação, da 3ª para 10ª colocação entre os estados no ensino médio, e destacou promessas não cumpridas pelo governador. — Você prometeu, em 2022, 60% da matrícula em tempo integral ao final do seu mandato. Você entregou o que prometeu? Tarcísio respondeu: — Em não entregar você tem bastante experiência, porque não entregou no seu mandato como prefeito. Os dois então bateram boca brevemente sobre o tema: Haddad insistiu para que Tarcísio respondesse, ao que o candidato do Republicanos pediu para o oponente não interrompê-lo. Haddad defendeu sua gestão como prefeito, alegando que subiu um ponto no Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental, mas que o indicador segue o mesmo após uma década. E procurou desgastá-lo por frentes como a defasagem na alfabetização na idade certa. — Se não está funcionando porque recebemos o selo ouro do MEC em alfabetização este ano? — rebateu Tarcísio, em referência a uma certificação criada no fim de 2024. Neste momento, Haddad se manteve em silêncio por alguns segundos. O candidato do PT respondeu que São Paulo estava abaixo da média nacional e então admitiu que não sabia do que o governador estava falando. — Pergunta pro Camilo, então — arrematou Tarcísio, citando o ex-ministro da Educação, Camilo Santana. Herança da pandemia Tarcísio escolheu entre os temas a saúde. Afirmou que inaugurou 14 hospitais durante o mandato e que complementa a tabela do SUS para procedimentos: — O governo federal está participando cada vez menos do financiamento da saúde em todas as cidades de São Paulo, pode perguntar para qualquer prefeito. Haddad aceitou a nacionalização do debate e disse que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro deixou um “caos” no Ministério da Saúde com a gestão da pandemia. — Você tem ideia do estoque de procedimentos represados por causa da pior gestão do mundo da pandemia, que aconteceu aqui? 2,7% da população e 10% de mortes de covid-19.

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