Bebida adulterada com metanol deixou uma pessoa cega dos dois olhos e levou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) a denunciar dois homens por falsificação de produto destinado ao consumo. A denúncia, apresentada na sexta-feira, aponta que as bebidas eram compradas de fornecedores sem origem comprovada e revendidas a um comércio na Avenida Guarulhos, na Grande São Paulo. Novo horário: metrô de São Paulo amplia horário da Linha 17-Ouro do monotrilho, das 6h às 22h Abandono escolar: 20% dos estudantes não concluem o ensino médio e já estão fora da escola dois anos após prazo previsto Segundo a 16ª Promotoria de Justiça Criminal de Guarulhos, um dos denunciados era responsável pelo estabelecimento e costumava comprar bebidas de diferentes fornecedores sem exigir notas fiscais ou documentos que comprovassem a procedência, priorizando os produtos mais baratos. O outro seria um dos fornecedores e, de acordo com a investigação, comprava vodca de vendedores nas proximidades do Mercado Municipal de São Paulo para revendê-las a comércios como se fossem de uma marca conhecida. Uma das garrafas foi consumida em 27 de setembro de 2025. Depois de ingerir a bebida no estabelecimento, a vítima sofreu uma intoxicação grave por metanol e precisou ser internada. A substância provocou perda completa e permanente da visão nos dois olhos. Para o fornecedor, além da acusação de falsificação, o Ministério Público atribui também o crime de lesão corporal. A investigação encontrou outras bebidas suspeitas no comércio. Em 15 de outubro, foram apreendidas diversas garrafas de vodca, parte delas sem comprovação de origem. Oito amostras analisadas pela perícia continham metanol em concentrações que variavam de 34,6% a 40,9%. Segundo a denúncia, os exames concluíram que se tratava de bebidas adulteradas, impróprias para consumo e capazes de causar graves danos à saúde. Casos pelo país Em setembro do ano passado, uma onda de intoxicações por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas levou autoridades de diferentes estados do Brasil a investigar casos suspeitos de contaminação. Houve registros de perda de visão, internações e mortes, enquanto equipes de saúde e segurança passaram a rastrear a origem das bebidas e recolher produtos considerados suspeitos. O Ministério da Saúde chegou a criar uma sala de situação para acompanhar os casos e orientar estados e municípios diante do aumento das notificações. A suspeita de contaminação atingiu diferentes regiões do país e provocou alertas para que consumidores evitassem bebidas sem procedência conhecida. Ao longo da investigação, porém, nem todas as ocorrências inicialmente relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas foram confirmadas como intoxicação por metanol. O episódio de Guarulhos, agora detalhado na denúncia do Ministério Público, é um dos casos investigados naquele período. A denúncia apresentada não afirma que os dois acusados tenham produzido o metanol. A acusação sustenta que eles participaram da comercialização das bebidas adulteradas. Caberá à Justiça analisar as provas e decidir se os denunciados responderão pelos crimes.
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MP de São Paulo denuncia dois homens por venda de bebida adulterada que causou cegueira
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O Globo
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