Foguete H3, robô explorador e coleta inédita: o que se sabe sobre a missão japonesa a Fobos, uma das luas de Marte

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Japão lançou uma missão espacial para recolher amostras de Fobos, uma das duas luas de Marte, e trazê-las à Terra. A espaçonave MMX (Exploração das Luas de Marte, na sigla em inglês) decolou a bordo do foguete H3, do Centro Espacial de Tanegashima, no sudoeste do país. O projeto prevê a coleta de pelo menos 10 gramas de material da superfície do satélite e o retorno das amostras em 2031. Veja também: Vídeo mostra grupo saqueando loja de acessórios para celular durante protestos na França Leia mais: Cachorro Yorkshire parte para cima de urso, expulsa animal de quintal e vídeo viraliza; assista A missão é liderada pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) e tem como principal objetivo investigar a origem de Fobos e Deimos, a outra lua marciana. Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre como os dois corpos celestes se formaram. A análise do material recolhido poderá ajudar a esclarecer essa questão e ampliar o conhecimento sobre a evolução de Marte e do Sistema Solar. A previsão é que a sonda chegue à região de Marte em 2027. Antes de realizar a coleta, a espaçonave deverá estudar Fobos e Deimos por meio de instrumentos científicos e observações da superfície. O retorno à Terra está previsto para 2031, quando uma cápsula com as amostras deverá reentrar na atmosfera. A operação também representa um desafio tecnológico. Fobos tem cerca de 22 quilômetros de diâmetro e gravidade extremamente baixa, o que dificulta a movimentação de equipamentos em sua superfície. A missão levará o robô Idefix, desenvolvido em parceria entre França e Alemanha, para explorar o terreno e ajudar a identificar locais adequados para a coleta. O veículo poderá se deslocar por meio de pequenos saltos, em vez de se movimentar como um robô convencional em solo terrestre. A gravidade de Fobos é cerca de mil vezes menor que a da Terra, característica que exige cuidados especiais para evitar que o equipamento perca contato com a superfície ou se desloque de forma inesperada. A coleta será realizada pela própria espaçonave principal, que deverá pousar em Fobos e recolher material do solo. Além de obter as amostras, a missão fará medições da composição, da topografia e da estrutura do satélite. A sonda também observará Deimos durante a viagem pelo sistema marciano. Uma das principais questões que os cientistas esperam responder é se Fobos e Deimos se formaram a partir de detritos lançados ao espaço após um grande impacto em Marte ou se são asteroides originados em outra região do Sistema Solar e posteriormente capturados pela gravidade do planeta. A primeira hipótese sugere que uma colisão de grandes proporções teria lançado material marciano à órbita, dando origem às duas luas. A segunda considera que os satélites se formaram independentemente e foram atraídos por Marte. A composição das amostras poderá fornecer elementos para avaliar essas explicações. O material também pode conter pistas sobre a história geológica de Marte. Parte dos detritos presentes em Fobos pode ter origem no próprio planeta, lançados ao espaço por impactos de asteroides. Caso essa hipótese seja confirmada, as amostras oferecerão uma maneira indireta de estudar materiais marcianos sem a necessidade de coletá-los diretamente na superfície do planeta. A missão japonesa faz parte de um esforço internacional para ampliar a exploração do sistema marciano. Enquanto a MMX pretende trazer material de Fobos, os Estados Unidos e a China desenvolvem projetos para recuperar amostras diretamente de Marte. O robô Perseverance, da Nasa, já coletou material do planeta, mas o plano de retorno das amostras americanas enfrentou dificuldades orçamentárias e foi revisto. A China, por sua vez, planeja lançar a missão Tianwen-3 por volta de 2028, com o objetivo de trazer amostras marcianas à Terra. Se os cronogramas forem mantidos, a missão japonesa poderá ser uma das primeiras a entregar material do sistema de Marte para análise em laboratórios terrestres. O Japão já realizou missões bem-sucedidas de coleta e retorno de amostras de asteroides, com as sondas Hayabusa e Hayabusa2. A MMX amplia essa experiência para um ambiente mais complexo, com operações próximas a Marte e pouso em um de seus satélites naturais.

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