O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou na última terça-feira, 20 de outubro, o vídeo intitulado “O Nordeste que foi esquecido”, com depoimentos de moradores da região criticando o governo do presidente Lula da Silva (PT). O material viralizou rapidamente, com mais de 80 milhões de visualizações segundo levantamento citado à época, mas ficou sem áudio no Instagram, o que o próprio deputado denunciou como silenciamento.
O tiro, que parecia acerto, virou erro dentro da própria campanha. Conforme divulgado hoje, 23, a campanha do candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro classificou como um “erro” os vídeos de Nikolas com eleitores do Nordeste.
A avaliação interna, revelada pelo jornalista Valdo Cruz no G1, é de que o objetivo inicial era diminuir a liderança de Lula na região, mas o efeito produzido foi exatamente o contrário do planejado. O motivo: a reação negativa foi forte na região, principalmente porque o deputado usou algumas pessoas com condições financeiras que não se encaixavam no perfil que quis apresentar.
Aliados relataram que adversários passaram a divulgar que Nikolas usou até personagens que têm Hilux, uma camionete de alto valor, o que alimentou a narrativa de que ele teria menosprezado o eleitor nordestino. O episódio foi explorado pelos adversários, e o “Exército de Lula” começou a circular a informação de que Nikolas teria depreciado o eleitor nordestino.
O tema foi justamente o destaque do ICL Notícias no programa de eleições desta sexta-feira, 23, que tratou o caso como mais um tiro pela culatra de um aliado de Bolsonaro nesta campanha. Leia mais
Bispos do Amazonas entram firmes na carta pró-democracia e contra Flávio O paralelo com Zambelli
É impossível não lembrar de 2022. Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, a então deputada Carla Zambelli perseguiu armada o jornalista Luan Araújo pelas ruas dos Jardins, em São Paulo.
Resultado: o STF condenou Zambelli por 9 votos a 2 a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. O ato entrou para a história como um fator decisivo de virada.
O próprio Bolsonaro e sua campanha acusaram Zambelli de ter contribuído para a derrota. A cena fez os indecisos perceberem o risco do bolsonarismo continuar no poder, como lembrou nesta semana o ministro Guilherme Boulos ao comparar o ato da Paulista com míssil inflável pedindo bombardeio dos EUA ao “caso Zambelli” de 2026.
“O episódio Zambelli dessa eleição. Vocês lembram lá em 22 que a Zambelli saiu armada na rua de São Paulo ameaçando atirar? Isso fez os eleitores que estavam indecisos perceberem o risco”, disse Boulos.
Agora, aliados de Flávio temem o mesmo efeito no Nordeste. A avaliação interna da campanha lulista é de que Lula está subindo gradualmente enquanto Flávio está estabilizado, apostando justamente no aumento do apoio no Nordeste, entre beneficiários do Bolsa-Família e em Minas Gerais.
Se Flávio vier a ser derrotado no domingo, o vídeo de Nikolas Ferreira sobre o Nordeste, apresentado como inverídico e com personagens que não representam a realidade da maioria dos moradores, entrará para a conta como a sua Zambelli. O mesmo roteiro: um aliado de confiança, armado não de pistola, mas de celular e corte de internet, correndo atrás do eleitor nordestino para atacá-lo, e acertando a própria campanha.
uol.com.br/eleicoes/2026/10/23/video-nikolas-nordeste-questionamentos.ghtm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">UOL. Foto: reprodução/redes sociais
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