O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou uma transmissão ao vivo no Instagram, na noite desta sexta-feira (30/10), para explicar sua decisão de deixar o Brasil. Ele afirmou que saiu do país para continuar exercendo influência política e ter, segundo suas palavras, mais liberdade para se manifestar.
“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou.O senador também voltou a questionar, sem provas, o resultado das eleições e a atuação da Justiça Eleitoral. Na ocasião ele afirmou que houve irregularidades no processo e usou à expressão “gol de mão” para se referir ao que considera vantagens indevidas do adversário.
Falou ainda em "novas eleições" antes de 2030. Também disse que pretende explicar suas críticas com mais profundidade em outra ocasião. Durante a live, Flávio contou que decidiu viajar depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Segundo o senador, na segunda-feira (26/10), ao deixar a residência do ex-presidente, foi informado por agentes da Polícia Federal sobre uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a apreensão de seus passaportes e o proibia de deixar o país.Leia maisFlávio fugiu do Brasil por medo de uma 'não decisão' de Moraes, dizem aliadosFlávio Bolsonaro vai para os EUA após derrota nas eleições; o que acontece agora?Flávio teve ajuda dos EUA para fugir, mas Trump impôs limites ao senadorFlávio afirmou que interpretou a intimação como o início de uma perseguição política.
Ele relatou que, ao tomar conhecimento da decisão, conversou com o pai, que teria pedido para falar com ele reservadamente. “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”, teria perguntado Jair Bolsonaro, segundo o relato do senador.Na sequência, Flávio disse que voltou para casa e conversou com a mulher antes de decidir deixar o país com a família.
Ele não informou o destino da viagem, mas afirmou que a saída foi planejada sem que outras pessoas soubessem, para evitar que a iniciativa fosse frustrada.“Eu perdi para o sistema, eu não perdi para o meu adversário”, declarou. Flávio também afirmou que não considera a saída do país um sinal de fraqueza e que pretende continuar exercendo sua liderança política do exterior, especialmente diante das restrições que, segundo ele, impedem o pai de se manifestar.Esta é a primeira manifestação pública do senador após a divulgação da carta golpista na última quarta-feira (28/10), em que se autodeclarou "presidente eleito" (depois alterado para "líder"). Assista: Atuação políticaDurante a transmissão, Flávio pediu que apoiadores permaneçam mobilizados e apontou o Congresso Nacional, especialmente o Senado Federal, como principal espaço de oposição ao governo.
Ele anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência da Casa e pediu que eleitores cobrem dos parlamentares o voto no aliado.O senador também fez críticas ao governo e previu dificuldades econômicas para o país. Na avaliação dele, a situação econômica poderá provocar um desgaste antecipado do presidente da República e chegou ainda a mencionar a possibilidade de disputar novamente a Presidência antes de 2030.Ao encerrar a transmissão, reforçou que pretende manter contato frequente com os apoiadores e prometeu falar mais sobre seus planos políticos.
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Correio Brazilliense