A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) espera receber nos próximos dias o apoio do Novo, do ex-governador Romeu Zema, que ficou em sexto na disputa pelo Palácio Planalto, e dos eleitos ao Legislativo pelo partido para reforçar a campanha do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em outra frente, o candidato do PL mantém aberta a interlocução com Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado na corrida presidencial, apesar de o seu partido, o PSD, já ter declarado a neutralidade na próxima etapa. O Novo pretende reunir na terça-feira ou na quarta-feira parlamentares e outros integrantes eleitos no domingo antes de formalizar sua posição. A previsão é que, depois desse encontro e de uma conversa com Flávio, o partido anuncie apoio ao candidato do PL ainda nesta semana. Zema deverá participar do movimento. A direção do Novo pretende fazer o anúncio ao lado de integrantes da bancada que saiu das urnas, de forma a mostrar uma adesão coletiva à candidatura. Entre os nomes que devem estar à frente da manifestação estão Deltan Dallagnol, Marcel van Hattem e Lahesio Bonfim, além dos dez deputados federais eleitos pelo partido. Zema já antecipou no domingo a direção que pretende seguir. Ao comentar o resultado das urnas, evitou naquele momento declarar apoio nominal a Flávio, mas deixou claro que não ficará ao lado do PT no segundo turno. — Onde tiver PT, eu, Girão e Novo estaremos do outro lado — afirmou. A declaração segue a posição adotada pelo Novo durante a campanha. Embora tenha lançado Zema à Presidência e disputado votos com Flávio no primeiro turno, integrantes da legenda afirmaram ao longo da eleição que estariam no campo contrário ao PT caso Lula avançasse à segunda etapa. Agora, o partido pretende transformar essa posição em uma manifestação conjunta com os eleitos. A campanha de Flávio considera que a adesão pode ajudar não apenas pela presença de Zema, mas pela incorporação de parlamentares e da estrutura do Novo à mobilização das próximas três semanas. Com Caiado, o cenário é diferente. A campanha de Flávio já havia tentado construir uma aproximação com o então adversário antes mesmo do primeiro turno. Na reta final, interlocutores fizeram chegar ao ex-governador de Goiás a possibilidade de assumir o Ministério da Segurança Pública em um eventual governo do candidato do PL. Pablo Marçal participou da articulação como uma das pontes entre os dois grupos. A investida não levou Caiado a abandonar sua candidatura nem a antecipar apoio a Flávio. A interlocução, porém, permaneceu aberta. Segurança pública é uma das principais bandeiras políticas do ex-governador e também ocupa espaço central nas propostas apresentadas pelo candidato do PL. Nas últimas semanas de campanha, entendendo a dificuldade da polarização, Caiado focou seus esforços em Goiás e conseguiu reeleger seu sucessor, Daniel Vilela (MDB), e sua esposa, Gracinha Caiado (União), ao Senado. Aliados não veem disposição dele em ir para rua pedir votos para o antigo adversário. Na noite de domingo, Caiado evitou indicar qual caminho seguirá no segundo turno e afirmou que conversaria primeiro com o presidente do PSD, Gilberto Kassab. — Neste momento, vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab — disse Caiado. O PSD decidiu manter neutralidade no segundo turno e liberou suas lideranças para tomar decisões individuais. Até agora, Caiado não declarou apoio a Flávio nem a Lula. Entre seus aliados, a avaliação é que ele pode optar por uma sinalização mais discreta, sem entrar formalmente na campanha do candidato do PL. A equipe de Flávio, ainda assim, trabalha com a expectativa de atrair no segundo turno parte dos eleitores que escolheram Caiado no domingo. A avaliação é que essa migração pode ocorrer mesmo sem um pedido explícito de voto do ex-governador. Ao mesmo tempo, a campanha pretende manter aberta a interlocução na tentativa de obter algum gesto de Caiado durante as próximas semanas. As conversas com o Novo e Caiado fazem parte de uma rodada mais ampla de articulações iniciada por Flávio logo depois do primeiro turno. O presidenciável telefonou ainda no domingo para Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais, e Douglas Ruas (PL), que saiu à frente na disputa pelo governo do Rio. Nesta segunda-feira, reúne-se com Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo, para discutir sua participação na campanha e possíveis reforços à estrutura do segundo turno.
Flávio espera apoio do Novo e aposta em migração de votos de Caiado no segundo turno
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O Globo
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