Flávio diz que SUS salvou Bolsonaro e promete atualizar tabela; Lula cobra investimentos

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

No debate, candidatos trocaram acusações sobre a gestão da saúde pública, as filas para atendimento e a atuação do governo Bolsonaro na pandemia O financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) provocou um confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23), último antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).

Lula questionou a intenção de Flávio de indicar o médico Cláudio Lottenberg para o Ministério da Saúde e citou declarações atribuídas ao escolhido sobre o financiamento do sistema público. O presidente perguntou como o adversário pretende melhorar o atendimento sem ampliar os recursos destinados à saúde.

Flávio negou que pretenda cortar investimentos no SUS e afirmou que pretende combater a corrupção e a burocracia para melhorar a aplicação dos recursos. O senador também criticou as filas para consultas, exames e cirurgias e prometeu medidas para ampliar o atendimento.

Ao defender o sistema público de saúde, Flávio recorreu à experiência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que recebeu atendimento na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, em Minas Gerais, após ser esfaqueado durante a campanha eleitoral de 2018. “Meu pai foi salvo de uma facada […] na Santa Casa de Juiz de Fora; foi o SUS que salvou o presidente Bolsonaro”, afirmou o senador.

Flávio disse que pretende manter os investimentos no sistema público, mas criticou a aplicação dos recursos pelo governo Lula. Segundo ele, há problemas na distribuição de medicamentos e demora para consultas com especialistas, exames e procedimentos cirúrgicos.

O candidato também mencionou as dificuldades enfrentadas por famílias com crianças que precisam de acompanhamento especializado, como consultas com neuropediatras e fonoaudiólogos. Na tréplica, Flávio afirmou que pretende ampliar as instalações do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para atender mais pacientes.

Também mencionou uma proposta relacionada a equipamentos para preservar rins destinados a transplantes. O senador prometeu ainda renegociar as dívidas das Santas Casas com a Caixa Econômica Federal e atualizar a tabela SUS, que remunera procedimentos realizados na rede pública e em estabelecimentos conveniados.

Como exemplo, citou os valores de R$ 10 por consulta médica e R$ 44 por parto realizado por uma obstetra. Flávio também defendeu a adoção de um modelo semelhante ao da tabela SUS Paulista, criada pelo governo de São Paulo para complementar os pagamentos federais a prestadores de serviços de saúde.

Lula respondeu com críticas à condução da pandemia de Covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro. O presidente citou a falta de incentivo à vacinação e a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, como a cloroquina.

O petista afirmou que o SUS foi fundamental para atender a população durante a crise sanitária e argumentou que a atuação dos profissionais de saúde ajudou a evitar um número ainda maior de mortes. Lula também voltou a questionar a escolha de Cláudio Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde e perguntou se a proposta de Flávio prevê cobrança por serviços atualmente oferecidos pelo sistema público.

Ao responder, Flávio afirmou que o SUS continuará recebendo investimentos em um eventual governo do PL. O senador voltou a criticar a gestão atual e defendeu mudanças na administração dos recursos para reduzir as filas e melhorar o atendimento aos pacientes.

O debate da Globo ocorreu dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Ana Paula Bittencourt é editora executiva do ND Mais e coordena o Núcleo Nacional e o Núcleo de Santa Catarina, liderando equipes em solo catarinense, Brasília e São Paulo.

Formada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, é jornalista desde 2006 e acompanha comunicação, mídia, cultura e relações internacionais, com foco em contexto e relevância nacional. É especializada em política brasileira, bastidores do poder e análise do cenário nacional, tendo uma trajetória em grandes veículos de comunicação do Sul do Brasil.

É mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e deu aulas de Jornalismo na Unisul e na Univali, contribuindo para a formação de novos profissionais. Possui ampla experiência em coberturas eleitorais, tendo acompanhado os pleitos municipais e gerais nas edições de 2014, 2016, 2020 e 2024.

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