Ana Clara morreu aos 5 anos em fevereiro de 2021, em Niterói (RJ), após ser atingida por tiros de fuzil durante uma ação policial Os candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), travaram um embate tenso sobre segurança pública, milícias e o sistema prisional durante o debate da TV Globo nesta sexta-feira (23).
A discussão foi marcada pela presença da mãe da menina Ana Clara na plateia, junto aos aliados do PT. A menina Ana Clara morreu aos 5 anos em fevereiro de 2021, em Niterói (RJ), após ser atingida por tiros de fuzil durante uma ação policial.
O policial Bruno Dias Delaroli foi denunciado pelo Ministério Público sob a acusação de atirar contra uma área residencial ignorando alertas de moradores. O caso tem o envolvimento de Flávio Bolsonaro, que atuou na defesa do agente e assinou um recurso, negado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 2024, numa tentativa frustrada de evitar que o acusado fosse submetido a júri popular.
O julgamento ainda não tem data para ocorrer. O confronto direto começou quando Lula direcionou o debate para o caso de Ana Clara, apontando para a mãe da vítima na plateia.
O atual presidente questionou o motivo de Flávio defender o policial militar acusado de atirar na criança com um fuzil e que ainda não foi julgado. “O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil numa menina de cinco anos? Explica”, cobrou o petista, criticando o que chamou de “território da bala”.
Em resposta, Flávio Bolsonaro dirigiu-se à mãe de Ana Clara, classificando a morte como uma tragédia ocorrida em uma “comunidade conflagrada” pelo tráfico de drogas. O candidato defendeu o policial militar, afirmando ter confiança de que o disparo não partiu do agente, e culpou o atual governo pela falta de combate aos traficantes nas fronteiras.
Como promessa de campanha, Flávio afirmou que classificará o PCC (Primeiro Comando da Capital), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. “Os chefes dessas organizações vão poder pegar até 80 anos de cadeia e vão ter que cumprir a pena quase integralmente”, declarou o candidato.
O candidato do PL também prometeu reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos de estupro, defender a castração química para abusadores e criticou as audiências de custódia do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Na tréplica, Lula partiu para o ataque e acusou Flávio Bolsonaro de manter relações estreitas com grupos paramilitares no Rio de Janeiro.
“Todo mundo assiste a um discurso dele na Alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro] defendendo miliciano, oferecendo medalha para miliciano, dando emprego no gabinete da esposa do chefe da milícia”, disparou o presidente. Classificando as promessas penais do adversário como “bravatas”, Lula prometeu criar o Ministério da Segurança Pública caso a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança seja aprovada no Congresso.
Por fim, o petista garantiu que atuará de forma integrada com os estados e fortalecerá a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal para combater o crime. “O trabalhador com proteção, o bandido punido.
Isso vai acontecer”, concluiu Lula. Vinicios Souza é editor e repórter no ND Mais, onde integra o Núcleo Nacional e escreve sobre fatos e assuntos de grande relevância e impacto na vida dos brasileiros.
Produz matérias sobre política, Judiciário e transparência pública, além de acompanhar atentamente acontecimentos que repercutem no Brasil e no mundo. Formado pela Unesa (Universidade Estácio de Sá), atua no jornalismo desde 2017 e acumula experiência em portais digitais, veículos impressos e comunicação empresarial.
Acompanhou de perto a imigração venezuelana em 2018 e suas implicações locais no Mato Grosso do Sul. É especializado em Jornalismo Político e Investigativo, possuindo conhecimento aprofundado no setor.
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