Flávio diz que decisão de Fachin em crise do STF é 'luz no fim do túnel' e rebate indireta de Alcolumbre

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Fonte da notícia: Valor Valor

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), disse ser uma "luz no fim do túnel" a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de retirar o pedido de investigação contra André Mendonça do inquérito das “fake news”, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Flávio também voltou a defender que Moraes seja investigado por conta das supostas mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. "Há uma luz no fim do túnel. Todos nós aqui muito preocupados com os rumos que um ou outro ministro do Supremo acabam tentando levar o nosso Brasil. A minha defesa vai ser sempre intransigente: a defesa do Supremo Tribunal Federal, a defesa institucional. As pessoas passam, as instituições ficam", disse Flávio a jornalistas em agenda de campanha em São Carlos, no interior do Estado de São Paulo, nesta sexta-feira (4).

Lula reclama de vazamentos e diz que 'ninguém pode usar cargo em benefício pessoal' Pesquisa Datafolha: Lula tem 38% e Flávio, 33% no primeiro turno; Cury vai a 8% A decisão de Fachin ocorre em meio à intensa crise pela qual passa o STF após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF contendo mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um número atribuído a Alexandre de Moraes. Os diálogos tratavam de investigações envolvendo o Master. Não é possível saber o que respondeu o interlocutor, que seria Moraes, segundo a PF, por que as mensagens tinham visualização única e não foram recuperada.

Dois dias após a revelação das mensagens, Moraes pediu a Fachin para Mendonça ser investigado por, entre outros crimes, abuso de autoridade. Depois da decisão de Fachin, os pedidos de Moraes contra o colega do STF vão tramitar em um processo que está sob responsabilidade da Presidência da Corte. Flávio também voltou a dizer que Moraes deve ser afastado do cargo e que o plenário do STF deve autorizar a investigação formal dele por conta da revelação de mensagens com Vorcaro. Mendonça já pediu a Fachin para levar a plenário o relatório que divulgou a respeito da possível conexão de Moraes com o ex-dono do Banco Master. "É inadmissível chegarmos ao ponto de fazer o que o Alexandre Moraes está fazendo. E hoje a população toda, em função do sigilo que foi retirado dessa investigação envolvendo o Banco Master, todos puderam ver como é que ele operava de Brasília. Então ele não tem a menor condição de continuar como ministro do Supremo Tribunal Federal. Nós esperamos aí que o próprio pleno do STF autorize que ele seja investigado formalmente", declarou o candidato. Flávio também já teve o nome associado a Vorcaro, quando vieram a público mensagens em que ele pede dinheiro ao ex-banqueiro para custear o filme sobre seu pai, o "Dark Horse". O senador prometeu prestar contas do uso dos valores, o que ainda não ocorreu. Há uma investigação em andamento no STF para apurar suspeita de uso de emenda parlamentar na produção e também procedimentos na Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora do filme. Flávio não é formalmente investigado. Resposta a Alcolumbre Flávio também rebateu declaração recente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e acusou o parlamentar de estar mais preocupado com sua "autoproteção" ao defender Moraes das suspeitas de relação indevida com Vorcaro. Na quarta-feira (2), ao se pronunciar sobre a crise no STF, Alcolumbre respondeu com uma indireta a Flávio, citando o "Dark Horse". "Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme, e agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes", disse o presidente do Senado. Alcolumbre vem sendo pressionado pela oposição a acatar um pedido de impeachment de Moraes. Flávio, sem dar detalhes, disse que o presidente do Senado tem interesse em prejudicá-lo nas eleições. "Infelizmente, vejo que o Davi Alcolumbre está muito preocupado com o Alexandre de Moraes, com a sua autoproteção. Eu lamento que ele tenha feito uma reunião longa com o Alexandre de Moraes na terça-feira, pouco antes do plenário, em que parece que foi combinado alguma coisa com o Flávio Dino para tomar algumas ações ilegais contra mim", declarou o senador a jornalistas.

Por meio de suas assessorias, o Valor procurou as três autoridades mencionadas. A assessoria de Dino disse que ele não irá se manifestar por se tratar de um discurso eleitoral.

O candidato também mencionou um suposto encontro que teria acontecido entre o presidente do Senado e Moraes na quarta-feira, um dia antes de o ministro do STF pedir uma investigação contra o relator dos inquéritos do Master, André Mendonça. De acordo com o jornal O Globo, o encontro ocorreu pouco antes de Alcolumbre dizer, no plenário do Senado, que "todo mundo esqueceu" sobre o pedido de financiamento do Dark Horse ao ex-dono do Banco Master.

Flávio tentou diferenciar o seu contato com Vorcaro com a relação de outros políticos e autoridades, incluindo a de Moraes, com o ex-banqueiro. "O que eu tenho para falar é o seguinte, não tem absolutamente nada a esconder, não tem nada de errado com o filme do presidente Bolsonaro, diferente do que nós estamos vendo na relação do Banco Master com o Lula, com algumas personalidades importantes do Supremo, com o Alexandre de Moraes. Ali sim há indícios de crime e isso precisa ser investigado porque ninguém está acima da lei", disse o candidato do PL.

O senador voltou a criticar Alcolumbre por não pautar processos de impeachment contra ministros do STF e o acusou de "proteger um amigo". "Então eu acho que ele se equivocou [ao não aprecisar os pedidos de afastamento], queria proteger um amigo, ao invés de proteger a instituição, está perdendo uma grande oportunidade de resgatar a credibilidade não só do Senado, mas também de devolver o Supremo ao povo, à população", respondeu o presidenciável a jornalistas.

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