Frente a frente, em evento no Planalto, o presidente Lula disse nesta sexta, que há uma grande expectativa da sociedade sobre as costas do presidente do STF, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre as investigações do Caso Master e a crise envolvendo ministros na Corte. Lula aproveitou evento no Planalto para cobrar respostas. Sem citar nomes, afirmou que ninguém pode usar o cargo que ocupa em benefício próprio, em nome da democracia.
Fachin garantiu que dará uma resposta rigorosa e firme, mas sem precipitação, atalhos e respeitando o devido processo legal da Constituição.
O presidente Lula voltou a criticar o que chamou de "vazamentos seletivos" por interesses políticos e econômicos e alertou que se isso mais "a indústria das fake news" não forem freados, a Justiça vai perder a credibilidade. 'E eu disse ao meu amigo Fachin: a Suprema Corte e a Procuraduria-Geral da República estão com muita expectativa da sociedade brasileira. Porque quando os filhos dentro de casa estão em desordem, é quem manda na casa quem resolve. Então, meu caro, está nas tuas costas e nas costas do Paulo Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade sem tentar esconder absolutamente nada'. Fachin destacou que os fatos estão sendo investigados e que a Corte fará o que é certo, seguindo os procedimentos e descartou omissão. O presidente do STF, em conssonância com Lula, declarou que nenhuma autoridade e Poder estão acima da lei. O ministro também anunciou metas urgentes para a sua gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça. 'Nenhuma autoridade está acima da Constituição, nenhum poder está acima da lei e nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado de Direito Democrático. A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais. Não haverá precipitação, mas tão pouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa'. O PGR, Paulo Gonet, também citado no relatório da PF no qual mostra mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, disse apenas que há um entendimento dos Três Poderes sobre o funcionamento das instituições da ordem jurídica.
O que seria um evento de sanções para criação de fundos especiais para a Justiça Federal e o STJ, na verdade escancarou a preocupação das autoridades da República. O ministro da Justiça e Segurança, Wellington César, destacou que cada instituição republicana é maior que a soma dos seus integrantes. Mais cedo, o ministro Flávio Dino, nas redes sociais, também defendeu lealdade institucional e que STF é maior que seus membros. A crise no Supremo ganhou força depois que o relator do Caso Master, ministro André Mendonça, divulgou as 52 mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. Nos textos, o ex-banqueiro pedia intermediação para ter proteção da PF e PGR, e perguntava se deveria fugir do país. Alexandre de Moraes reagiu e pediu que Mendonça seja investigado no inquérito das fake News acusando o colega por crime de responsabilidade ao agir por motivos políticos e não respeitar o devido processo. Para tentar conter a escalada da crise, Edson Fachin abriu um procedimento interno e deu cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, a PGR e a Polícia Federal prestem informações oficiais.
CBN