Flávio Bolsonaro (PL)Joédson Alves/Agência Brasil O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) criticou o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após o magistrado reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Em entrevista ao jornal americano The Washington Post, o parlamentar afirmou que o ministro "não sabe do que está falando" e voltou a questionar a segurança do processo eleitoral brasileiro.Derrotado por uma diferença de aproximadamente 4 milhões de votos, Flávio não reconheceu o resultado da votação e repetiu a alegação de que poderia ter ocorrido fraude nas urnas eletrônicas.
Segundo ele, não seria possível garantir com 100% de certeza que irregularidades não aconteceram."Eu garanto a vocês que ele não sabe do que está falando", afirmou o senador ao comentar a manifestação de Nunes Marques, que proclamou a vitória de Lula após a conclusão do segundo turno.O ministro foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador.
Neste ano, assumiu a presidência da Corte eleitoral e se manifestou publicamente sobre o resultado da disputa.Flávio volta a questionar resultado das eleiçõesA declaração de Flávio ocorre após uma sequência de questionamentos sobre a derrota eleitoral. Na noite do segundo turno, o senador contestou uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou o horário de votação em algumas localidades após pedidos apresentados pelos partidos dos dois candidatos à Presidência.
Na ocasião, Flávio afirmou que a medida teria "mudado as regras do jogo".O parlamentar também anunciou que pediria a anulação do resultado das urnas. No dia seguinte, disse que entraria com um pedido de cassação da chapa de Lula, alegando irregularidades relacionadas a gastos e anúncios de benefícios durante a campanha.Apesar das acusações, Flávio não apresentou, na entrevista ao jornal americano, provas de fraude que sustentassem o questionamento ao resultado eleitoral.Senador evita revelar detalhes da saída do BrasilDurante a conversa com o Washington Post, Flávio também foi questionado sobre sua saída do Brasil e a chegada aos Estados Unidos.
O senador afirmou que não pretende revelar os detalhes da viagem."Eu nunca irei falar" sobre os caminhos utilizados para deixar o país, declarou.A saída ocorreu depois que o parlamentar foi intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a entregar seu passaporte no contexto de uma investigação sobre lavagem de dinheiro com apostas esportivas que envolve o advogado Willer Tomaz, apontado como aliado do senador.A reportagem do jornal americano também menciona a investigação sobre uma possível participação de agentes estrangeiros na saída de Flávio.
Segundo uma fonte descrita como integrante de alto escalão do governo brasileiro, autoridades apuram se uma rede de pessoas dos Estados Unidos, da Argentina e de Israel teria ajudado o senador a deixar o território nacional.Flávio, por sua vez, justificou a decisão de sair do Brasil com o receio de ser preso.Flávio diz que Trump não considera Brasil uma democracia plenaNos Estados Unidos, o senador afirmou que sua prioridade é regularizar a situação migratória antes de decidir quais serão seus próximos passos no país."É muito cedo para tomar decisões definitivas", disse ao Washington Post.
Segundo ele, primeiro será necessário resolver sua condição de permanência em território americano para, depois, pensar em como se manter no país.Flávio também comentou a percepção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o cenário político brasileiro. De acordo com o senador, o republicano está "convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena".A declaração reforça a tentativa de Flávio de levar o questionamento sobre o processo eleitoral brasileiro ao debate internacional, em meio à sua permanência nos Estados Unidos e à contestação do resultado das eleições.
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