O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira (7) ter "total respeito à Constituição". A declaração ocorre após a repercussão, nas redes sociais, de sua fala na terça-feira (6) sobre aproveitar o Congresso "muito mais à direita" para "mudar a Constituição" e "redemocratizar o país". Eleitores que se opõem ao candidato do PL levantaram temores de possíveis medidas autoritárias e de supressão de direitos sociais.
"O Brasil me deu um Congresso muito mais à direita do que é hoje, com maioria no Senado para eleger presidente, com maioria na Câmara para eleger presidente, para a gente mudar a Constituição, para redemocratizar este país”, afirmou Flávio, na terça-feira, em evento em Goiânia, após o anúncio de apoio de Ronaldo Caiado (PSD) no segundo turno.
Mapa da apuração: Veja a composição do Senado com os novos integrantes Mapa da apuração: Veja como fica a Câmara Campanha de Flávio investe em redes sociais o triplo de Lula Nesta quarta-feira, ele disse que a intenção com a fala do dia anterior é a de apresentar para discussão propostas de emenda à Constituição (PEC) como redução da maioridade penal, fim da reeleição, mudanças na reforma tributária, além de reformas políticas e no Judiciário, como mudanças na indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Qualquer coisa diferente disso é especulação. Vamos parar de mentir, vamos aterrissar no mundo real, parem de fazer torcida. A ameaça que tem a democracia é com o Lula, vocês estão vendo", disse a jornalistas após reunião com a cúpula da federação União Brasil-PP, que anunciou formalmente nesta quarta-feira (7) apoio ao senador no segundo turno. Flávio afirmou que pretende conduzir seu futuro governo com ponderação e respeito à Constituição e à política. “Tem que haver, sim, uma reforma do Judiciário. Eu estou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, isso tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC. O fim da reeleição. E eu, para dar o exemplo, para mostrar que eu não estou disputando o poder como esse atual governo”, disse a jornalistas. Flávio também questionou se o país vive hoje uma democracia plena e afirmou que “a ameaça que tem à democracia é com Lula”. “Essa democracia que eu estou falando que está abalada hoje e comigo não vai ter isso. Vai ter estabilidade, vai ter paz para todo mundo trabalhar, vai ter segurança jurídica, vai ter respeito à Constituição, vai ser o normal. O Brasil tem que voltar ao normal”, disse. O PL garante no momento uma bancada de 28 senadores, a maior da casa legislativa, e bolsonaristas ou aliados táticos de Flávio venceram em primeiro turno a disputa de 14 governos estaduais. Na Câmara, o partido contará com uma bancada de 121 deputados. Fim da reeleição Flávio disse pretende usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar uma PEC que acabe com a reeleição no país. Ele não detalhou a proposta, mas voltou a dizer que se compromete a não disputar um novo mandato, caso eleito.
Influencer eleita pelo PT diz que ódio a lulismo não deixa sociedade 'ver quem é Flávio' Lula muda comunicação e busca associar Flávio a fim de programas sociais “Eu sou a favor do fim da reeleição. Eu vou usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar essa PEC (do fim da reeleição), para redemocratizar o nosso país nesse sentido”, disse. Segundo Flávio, o Congresso Nacional deverá definir os critérios referentes à PEC que acaba com a reeleição. “Fiz o compromisso de não concorrer à reeleição. É o Congresso que vai definir os critérios, se vai ser mandato de 4, de 5 anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador. É o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir qual é o caminho que tem que ser feito e a reforma política que tem que ser feita”, declarou.
Crítica a Lula Ele também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele comparou o adversário ao piloto de um dos aviões que atingiram as Torres Gêmeas nos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. “Esse governo está fazendo de tudo para se reeleger e está arrombando o país. O Lula pulou do precipício com a gente junto. O Lula é o piloto do avião que está em direção à torre lá nos Estados Unidos no 11 de setembro. Dá tempo de desviar ainda”, disse.
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