A flacidez abdominal nem sempre tem relação com o excesso de gordura. Depois de uma gestação, de uma perda significativa de peso ou simplesmente com o passar dos anos, a pele pode perder elasticidade, apresentar uma textura diferente e deixar de ter a mesma firmeza de antes. É uma queixa frequente inclusive entre mulheres que mantêm uma rotina de exercícios físicos e alimentação equilibrada, mas não conseguem recuperar o aspecto que gostariam para a região. Nesse cenário, os fios que estimulam a produção de colágeno, tradicionalmente associados aos tratamentos faciais, começam a ganhar espaço em novas possibilidades de cuidado corporal. “É comum receber pacientes que estão satisfeitas com o peso, mas se incomodam com a flacidez da região abdominal. Nem sempre o problema está na gordura. Muitas vezes, é a própria pele que perdeu firmeza e elasticidade”, explica a dermatologista Ana Carolina Amaral. A proposta dos fios bioestimuladores é justamente atuar na qualidade da pele. Ao serem inseridos no tecido, eles provocam uma resposta biológica que estimula a formação e a remodelação do colágeno, proteína essencial para a sustentação e a elasticidade cutâneas. O resultado, quando há indicação adequada, tende a ser gradual, com potencial de melhora da firmeza e da textura da região tratada. Diferentemente dos fios de tração, utilizados com a finalidade de reposicionar tecidos, os modelos voltados à bioestimulação têm como foco a resposta do próprio organismo. Entre as tecnologias disponíveis está o Nano Excellence, da linha Aptos, utilizado pela médica Ana Carolina em seu consultório. O recurso pode ser considerado em casos selecionados de flacidez abdominal, especialmente quando a perda de qualidade e elasticidade da pele é uma das principais causas do incômodo. A escolha, no entanto, depende de uma avaliação individualizada, que leve em conta as características da pele, o grau de flacidez e as expectativas de cada paciente. Esse diagnóstico é fundamental porque nem toda barriga com aspecto flácido apresenta a mesma condição. O acúmulo de gordura localizada, o excesso de pele após grandes emagrecimentos e a separação dos músculos abdominais, conhecida como diástase, são situações distintas e podem exigir abordagens diferentes. Em alguns casos, os fios podem integrar o plano de tratamento; em outros, procedimentos complementares ou alternativas terapêuticas serão mais adequados. “O primeiro passo é entender o que realmente causa o incômodo. A partir daí, conseguimos avaliar quais tratamentos fazem sentido para aquela paciente e quais resultados podem ser esperados”, ressalta a dermatologista. A expansão do uso dos fios reflete um movimento mais amplo da dermatologia estética: a busca por tratamentos personalizados, que considerem não apenas o contorno corporal, mas também a qualidade da pele. Embora não substituam uma cirurgia quando existe excesso importante de tecido, esses recursos podem representar uma possibilidade para pacientes criteriosamente selecionadas que desejam melhorar a firmeza da região abdominal sem recorrer, necessariamente, a procedimentos cirúrgicos. Mais do que uma novidade, a aplicação corporal dos fios reforça uma mudança de perspectiva nos cuidados estéticos. Se antes a conversa sobre colágeno se concentrava quase exclusivamente no rosto, hoje ela também envolve outras regiões do corpo e suas necessidades específicas. Para mulheres que se incomodam com a flacidez mesmo após mudanças no estilo de vida, entender a origem dessa alteração é o primeiro passo para descobrir quais tratamentos podem, de fato, fazer diferença.
Fios de colágeno conquistam espaço nos tratamentos contra a flacidez corporal
Fonte da notícia:
O Globo
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