247 – O Partido dos Trabalhadores (PT) registrou um crescimento de 319,1% no número de novas filiações em outubro de 2026, mês marcado pela mobilização popular que culminou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foram 13.850 novas adesões, contra 3.305 em setembro.
O dado mais expressivo é a participação da juventude: 61,9% dos novos filiados são jovens, segundo levantamento divulgado pelo próprio partido. O avanço representa uma mudança significativa no ritmo de crescimento da legenda.
Somente em outubro, o PT concentrou 36,7% das 37.776 filiações registradas entre janeiro e outubro deste ano. Com isso, o partido informa ter alcançado aproximadamente 2,94 milhões de filiados.
Juventude lidera onda de novas filiações A participação dos jovens foi o principal motor do crescimento.
Em outubro, 8.571 pessoas dessa faixa etária ingressaram no PT, contra 1.393 em setembro, um salto de 515,3%. O número de jovens que se filiaram somente em outubro superou todas as adesões dessa faixa etária registradas nos nove meses anteriores, quando 6.514 pessoas haviam ingressado na legenda.
No acumulado do ano, foram 15.085 novos filiados jovens, o equivalente a 39,9% do total de adesões entre janeiro e outubro. Para o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, a campanha de Lula, especialmente no segundo turno, teve papel decisivo na retomada do interesse pela participação política.
“A campanha do presidente Lula, sobretudo no segundo turno, foi um marco da mobilização social, na mobilização cidadã, na história política brasileira. E novas gerações ou mesmo gerações anteriores voltaram a se encantar com a política, com o processo eleitoral”, afirmou.
A secretária nacional de Juventude do PT, Julia Köpf, também destacou o caráter geracional do fenômeno. “Agora, a novidade desse ano é a quantidade de jovens que estão entre esses filiados: 40% tem até 29 anos e mais da metade tem até 35 anos”, disse.
Segundo Köpf, a mobilização da juventude refletiu tanto a oposição ao bolsonarismo quanto a identificação com o projeto político apresentado por Lula durante a campanha. Desafio é transformar mobilização eleitoral em organização permanente
A direção do PT considera que o crescimento das filiações abre uma oportunidade para renovar a estrutura partidária e fortalecer sua presença nos bairros, escolas, universidades e espaços digitais. Éden Valadares defende que a legenda precisa adaptar suas formas de organização às transformações sociais e às novas relações de trabalho, reconhecendo que a sociedade brasileira mudou profundamente desde a fundação do partido, em 1980.
“O PT tem que ter humildade para entender que a sociedade na qual o PT foi fundado em 1980 não é mais a mesma, que o mercado de trabalho mudou, as relações sociais mudaram, as relações de dominação, de exploração, mas também de interação, de construção social”, afirmou. A proposta é combinar a tradição de organização popular do partido com novas ferramentas de comunicação e participação, especialmente nos ambientes digitais que tiveram papel relevante na campanha eleitoral.
A direção também pretende ampliar as atividades de formação política e criar condições para que os novos filiados participem efetivamente das decisões e das iniciativas partidárias. PT prepara nova campanha de filiação para novembro e dezembro
Para manter o impulso das eleições, o PT realizará uma campanha nacional de filiação entre 13 de novembro e 13 de dezembro. Segundo Julia Köpf, militantes irão às ruas para apresentar o projeto político da legenda, explicar os mecanismos de participação interna e estimular a organização de novos núcleos de base.
“Isso vai ser muito importante, tanto pra gente conseguir governar esse país em contato direto com o povo, como pra gente conseguir enraizar as ações do PT e eh do presidente Lula no território”, declarou. A campanha será acompanhada por uma jornada de formação sobre a história do PT e de sua juventude, com o objetivo de preparar os novos integrantes para participar das atividades políticas e dos debates programáticos.
Entre as pautas que deverão mobilizar a juventude petista em 2027 estão a implementação da tarifa zero no transporte público aos fins de semana e discussões sobre mudanças no sistema político e no Judiciário. Para Köpf, a filiação partidária permite que a participação política vá além das campanhas eleitorais e alcance os debates que definem os rumos do país.
“Quando a gente se filia num partido, não só a gente participa do processo eleitoral, mas a gente participa dos grandes debates que vão influenciar no processo eleitoral. O PT é o partido mais democrático que a gente tem no Brasil”, afirmou.
O crescimento registrado em outubro representa, assim, não apenas um resultado da mobilização pela reeleição de Lula, mas também uma oportunidade para o PT ampliar sua base social e consolidar uma nova geração de militantes. O desafio da legenda será transformar o entusiasmo das urnas em participação política organizada e duradoura.
Brasil 247