O Dia dos Pais chegou de um jeito diferente para Isabella Maria, de seis anos. Filha caçula do campeão olímpico de vôlei Pampa, morto em junho de 2024, a menina ainda é pequena para entender todas as dimensões da ausência do pai, mas encontrou formas próprias de manter viva a lembrança dele. Às vésperas da data, Isabella participou dos ensaios de uma homenagem na escola. No entanto, na hora da apresentação, preferiu não subir ao palco. Em casa, contudo, fez questão de fazer, à sua maneira, um bilhete para o pai. "Ela sabia que hoje é Dia dos Pais. Na escola, ela participou dos ensaios para a apresentação. Ela quis participar dos ensaios, só não quis participar da apresentação. E confeccionou o bilhete para o papai", contou à Quem Paula Falbo, viúva de Pampa e mãe da menina. A cena emocionou Paula, que acompanha de perto a maneira como a filha lida com a saudade. Para ela, a resiliência de Isabella chama atenção justamente pela pouca idade. "Às vezes eu acho que eu sinto mais do que ela e fico impressionada com a resiliência e felicidade que Deus coloca no coração das crianças", desabafou. Paula Falbo e Isabella Maria Acervo pessoal Pampa com a esposa, Paula, e a filha, Maria Isabella Arquivo pessoal Memórias do pai Pampa morreu aos 59 anos, após um longo tratamento contra um linfoma. O ex-atleta integrou a histórica seleção brasileira que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Comandado por José Roberto Guimarães, o time marcou uma geração do vôlei brasileiro.
Além do ouro olímpico, Pampa também conquistou a prata nos Jogos Pan-Americanos de 1991 e o título da Liga Mundial de 1993. Depois de deixar as quadras, trabalhou no Ministério do Esporte e ocupou cargos públicos ligados ao esporte, além de atuar com marketing esportivo.
A morte aconteceu quando Isabella ainda era muito pequena. Desde então, Paula tem buscado preservar para a filha as lembranças do pai e a dimensão do legado deixado pelo campeão. A própria camisa que Isabella aparece vestindo nas fotos carrega uma dessas memórias. Personalizada com o nome Pampa e o número 12, ela traz ainda uma dedicatória escrita à mão, transformando a peça em uma lembrança afetiva do pai. ""Para minha bebelinda com muito amor", escreveu Pampa na camisa. Isabella Maria, caçula de Pampa, com o neurocirurgião Paulo Augusto Souza Lara Leão Acervo pessoal Um ano de desafios A história de Isabella também ganhou um capítulo delicado neste ano. No dia 30 de abril, a menina foi internada depois de apresentar dores e um inchaço na região da testa. Exames identificaram uma osteomielite, e ela precisou passar por uma cirurgia de emergência. A previsão inicial era de semanas de internação por causa da necessidade de antibióticos intravenosos. A alta veio em 29 de maio, após 29 dias no hospital.
Para Paula, a recuperação representou uma vitória especialmente significativa "Foi um verdadeiro milagre", afirmou a mãe na ocasião. "Você saiu mais forte dessa história, minha filha… e a vida agora parece ainda mais bonita para nós duas. Tão pequena e com uma coragem que já abraça o mundo inteiro. Agora vai viver tudo de mais lindo que Deus te preparou!", escreveu Paula, quando a filha teve alta.
Revista Quem