O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 1,8 ponto em outubro, para 109 pontos, informou nesta sexta-feira (30) a instituição. Foi a mais forte queda desde julho (-1,9 ponto) e conduziu o indicador ao menor patamar desde fevereiro (105,8 pontos).
Resolução do pleito eleitoral no Brasil ajudou a diminuir o indicador, informou o economista da fundação Stefano Pacini. No entanto, o especialista comentou que não dá para afirmar com certeza que o índice continuará a cair na mesma magnitude até fim do ano.
A expectativa dele é que a incerteza com a economia tenda a diminuir um pouco, nos próximos meses, à medida que a definição do novo governo avance. Contudo, não se espera que a incerteza caia para níveis muito baixos, afirmou.
Na evolução do indicador de setembro para outubro, o componente de Mídia do IIE-Br recuou 2,8 pontos, para 108,8 pontos, e contribuiu negativamente com 2,4 pontos para o resultado agregado do índice. Isso se deve à resolução de cenário eleitoral, mapeado pelo noticiário.
Já o componente de Expectativas, que mede a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, subiu 2,9 pontos no mês, para 106,1 pontos, e contribuiu positivamente com 0,6 ponto para a queda do IIE-Br. Quando questionado se a dúvida quanto à composição de novo governo poderia impulsionar novamente arrancada do indicador, ele duvidou dessa hipótese.
Para ele, após o pleito, o mercado já sabe em linhas gerais quais serão as medidas econômicas, as pautas que o novo governo vai brigar – ainda mais tendo em vista que é um governo reeleito. “Acredito que, conforme vai se tendo mais certeza, das [futuras] medidas econômicas, das diretrizes econômicas do governo, eu acho que tende a diminuir a incerteza”, disse.
No entanto, o especialista não espera quedas muito expressivas no indicador nos próximos meses. Isso porque a atividade econômica brasileira nunca está livre do imponderável.
Acontecimentos inesperados, no cenário internacional e doméstico, podem fazer o índice voltar a subir, ou a não cair muito, avaliou. “Estamos suscetíveis a algo que possa acontecer.
Em se tratando de Brasil, a gente pode ter desde um escândalo de banco, alguma externalidade, pode ter uma pandemia”, lembrou. “Mas o IIE-Br deve permanecer em patamar acima de 100 pontos [quadrante favorável].
Baixa, a incerteza não vai ficar”, disse. Stéfano Pacini, economista da FGV
Leo Pinheiro/Valor
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