Felipe Nunes: PT precisa repetir estratégia de Dilma em 2014 e reduzir alienação eleitoral para virar disputa

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode reverter a desvantagem diante do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 se a campanha petista conseguir reduzir a alienação eleitoral. Em entrevista ao jornal O Globo, Nunes comparou o cenário atual ao de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) conseguiu virar a disputa contra Aécio Neves (PSDB).

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostra Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A diferença de um ponto percentual configura empate técnico entre os candidatos.

Para Nunes, a capacidade de mobilizar eleitores que não votaram em nenhum candidato pode ser determinante para o resultado do segundo turno. O conceito de alienação eleitoral reúne a abstenção e os votos brancos e nulos.

No primeiro turno de 2026, mais de 33 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas, enquanto quase seis milhões não escolheram nenhum dos candidatos disponíveis.

Comparação com as eleições de 2014

Segundo o diretor da Quaest, a redução da alienação eleitoral entre o primeiro e o segundo turno foi mais expressiva em 2014 do que em 2022. Na eleição vencida por Dilma Rousseff, o indicador caiu mais de um ponto percentual. Em 2022, a redução foi de apenas 0,21%.

Em 2014, Dilma venceu Aécio Neves no primeiro turno, mas aparecia atrás do adversário tucano nas pesquisas de intenção de voto para a etapa final da disputa. A mudança no comportamento dos eleitores que inicialmente não haviam escolhido nenhum candidato contribuiu para a vitória da petista.

Nunes considera que a campanha de Lula precisa buscar resultado semelhante em 2026, convencendo eleitores ausentes e aqueles que votaram em branco ou nulo a optar pelo candidato do PT.

“Se o nível da alienação eleitoral esperado para este ano for próximo ao de 2014, na mudança entre o primeiro e o segundo turno, há chance, sim, de o Lula fazer essa virada. A Dilma virou na última semana por causa da queda da alienação eleitoral. O PT, em 2014, conseguiu fazer o eleitorado que não votou em ninguém escolher a Dilma. Isso, para mim, é mais decisivo do que olhar só para a taxa de abstenção”, disse Nunes.

O diretor da Quaest também comparou os resultados das eleições de 2014 e 2022 para defender sua avaliação sobre o peso da mobilização eleitoral. “O incumbente que conseguiu virar foi a Dilma, quando a alienação caiu. O incumbente que não conseguiu foi Jair Bolsonaro, quando a queda não foi significativa”, afirmou.

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