Fazenda doada por engenheiro em Campana, na Argentina, ficou meio século sem uso e virou parque de 5 mil hectares do maior cervo da América do Sul

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Fonte da notícia: O Antogonista O Antogonista

Antiga estância em Campana passou décadas sem uso definido, virou reserva em 1990 e parque nacional em 2018, com área equivalente a mais de 7 mil campos de futebol O engenheiro civil Rómulo Otamendi tinha uma estância às margens do rio Paraná de las Palmas, em Campana, na província de Buenos Aires, na Argentina.

Depois da morte da única filha e da esposa, ele decidiu doar as terras, segundo reportagem do jornal La Nación. Décadas depois, a antiga fazenda virou reserva natural e, em 2018, foi a base do Parque Nacional Ciervo de los Pantanos, que tem mais de 5 mil hectares, segundo a revista Aire Libre, embora a página oficial do parque informe 2.500 hectares.

Otamendi participou do desenho da cidade balneária de Miramar e do traçado de linhas de trem, informa o La Nación. A estância ia da atual Rodovia Panamericana até o Paraná de las Palmas, um dos braços do delta do rio Paraná.

No século 19, aquelas terras foram importantes para a produção de tijolos e para atividades agrícolas e de pecuária, segundo a página oficial do parque. A chegada da ferrovia também marcou a ocupação da região de Campana.

De acordo com um documento de 2003 da ONG Aves Argentinas, a doação foi feita ao Estado nacional com uma condição. As terras deveriam beneficiar crianças e jovens de baixa renda.

A mesma entidade relata que, por diversos conflitos, o Estado nunca definiu um uso claro para a área. A fazenda ficou sob o antigo Conselho da Menoridade e Família, órgão que cuidava de políticas para crianças, segundo os fundamentos da Lei 14.874 da província de Buenos Aires.

Cerca de meio século depois da doação, em 1990, os decretos nacionais 2.148 e 2.149 transformaram o lugar na Reserva Natural Otamendi, entregue à Administração de Parques Nacionais. Em 2008, a área foi reconhecida como sítio Ramsar, título dado a áreas úmidas de importância internacional.

O passo seguinte veio com a Lei 27.456, de 2018. O Senado argentino aprovou a criação do parque nacional em 10 de outubro daquele ano, exatamente 28 anos depois da criação da reserva, segundo a revista Aire Libre.

Os cerca de 5.288 hectares não vieram todos da estância. Segundo a Aire Libre, o parque juntou cerca de 4.088 hectares da antiga Reserva Otamendi e perto de 1.200 hectares da Reserva Natural Río Luján, que era da província.

Pela conta do site, 5.288 hectares equivalem a cerca de 7,4 mil campos de futebol no padrão de 105 por 68 metros, o mesmo usado na Copa do Mundo. Em quilômetros quadrados, são 52 km².

Os números da área variam conforme a fonte e a época. O documento da Aves Argentinas, de 2003, falava em cerca de 3.000 hectares para a reserva, antes da ampliação que deu origem ao parque.

O símbolo da área é o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o maior cervo da América do Sul, segundo a Administração de Parques Nacionais. A espécie também vive no Brasil, no Pantanal e em várzeas de rios.

O La Nación contabiliza no parque 298 espécies de aves, 44 de mamíferos, 17 de répteis, 24 de anfíbios, 46 de peixes e 293 de plantas nativas. Entre as aves ameaçadas citadas pelo governo argentino estão a pajonalera-de-bico-reto e o espartillero-anão.

A volta de grandes animais costuma mudar paisagens inteiras, como ocorreu com as onças-pardas em uma reserva na Califórnia. Áreas protegidas também guardam surpresas, como a espécie que reapareceu após quase 65 anos.

O parque fica na rua Rómulo Otamendi, 1127, na localidade de Otamendi, em Campana, e recebe visitantes das 10h às 18h, de acordo com a página oficial.

Publicação Original O Antogonista oantagonista.com.br
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