Os americanos vão às urnas, nesta terça-feira, para escolher representantes no Congresso e em governos estaduais. As eleições nos Estados Unidos são realizadas a cada dois anos e, quando ocorrem na metade do mandato presidencial, são chamadas de eleições de meio de mandato — consideradas um termômetro da avaliação do governo.
Neste ano, estarão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e 36 governos estaduais. Americanos vão às urnas: Acompanhe em tempo real os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA
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Os participantes aplaudem enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, chega para falar em um comício de campanha de meio de mandato no Rock Hill Sports. KENT NISHIMURA / AFP
Além de definir quem terá maioria no Legislativo federal, o resultado pode alterar a capacidade do presidente americano, Donald Trump, de aprovar projetos e implementar sua agenda nos dois últimos anos no cargo. Republicanos controlam atualmente as duas Casas do Congresso, mas enfrentam um cenário de insatisfação com o custo de vida e com a condução da economia.
Contexto: Trump encerra campanha para eleições legislativas em Washington e diz que pleito será 'o mais importante em nossas vidas' O que são as eleições de meio de mandato?
As eleições de meio de mandato recebem esse nome porque acontecem na metade do período de quatro anos de governo de um presidente. Como as eleições legislativas federais são realizadas a cada dois anos, há uma votação para o Congresso tanto nos anos de eleição presidencial quanto nos anos intermediários.
Em 2026, os americanos escolhem parlamentares que tomarão posse em janeiro de 2027 e terão mandato até 2029. Trump, eleito em 2024, não disputa a votação: seu segundo mandato termina em janeiro de 2029, e a próxima eleição presidencial está marcada para 2028.
O Congresso é o Poder Legislativo federal dos EUA e tem duas Casas: a Câmara dos Representantes — também chamada de câmara baixa — e o Senado — ou câmara alta. Entre suas principais atribuições estão discutir e aprovar leis, autorizar gastos do governo e fiscalizar o Executivo.
Eleições nos EUA: Partidos encerram campanha para as eleições, com democratas otimistas e republicanos em corrida para mobilizar base Como funciona a eleição para a Câmara?
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes são renovadas a cada dois anos. Os deputados representam distritos eleitorais distribuídos pelos 50 estados dos EUA.
O número de representantes de cada estado depende de sua população: os mais populosos têm mais cadeiras, enquanto os menores têm menos. Cada distrito reúne uma parcela dos habitantes do estado e elege um deputado.
Os limites dessas áreas são redesenhados periodicamente, de acordo com mudanças demográficas — um processo que pode influenciar a disputa entre os partidos. 'Sensação de ansiedade': Oriente Médio teme retomada da guerra entre EUA e Irã após eleições de meio de mandato
Atualmente, os republicanos têm 218 deputados, contra 214 democratas. Há ainda um parlamentar independente e duas cadeiras vagas.
Como a vantagem republicana é estreita, os democratas precisariam conquistar poucas vagas para assumir o controle da Casa. E o Senado?
Ao contrário da Câmara, o Senado não é renovado por inteiro a cada eleição. A Casa tem 100 cadeiras, com dois representantes para cada um dos 50 estados, independentemente do tamanho da população.
Os senadores cumprem mandatos de seis anos, organizados em três grupos: a cada dois anos, aproximadamente um terço das vagas é submetido à votação. Ex-presidente argentina: Cristina Kirchner aposta em derrota de Trump nas eleições nos EUA e retorno de onda progressista
Nesta terça-feira, 35 cadeiras estarão em disputa: 33 em eleições regulares e duas em votações especiais para preencher mandatos que ficaram vagos. Atualmente, os republicanos têm 53 senadores.
Os democratas contam com 45 parlamentares, além de dois independentes que costumam votar com o partido. Para controlar o Senado, os democratas precisam conquistar a maioria das cadeiras.
Em caso de empate em 50 a 50, o vice-presidente — atualmente o republicano JD Vance — pode dar o voto de desempate. Por isso, a oposição precisa chegar a pelo menos 51 senadores para garantir o controle da Casa.
E os governadores? Além do Congresso, a votação inclui disputas estaduais.
Neste ano, 36 dos 50 estados americanos escolherão seus governadores. Também haverá eleições para o cargo em três territórios dos EUA, totalizando 39 disputas desse tipo, segundo a Associação Nacional de Governadores.
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Editoria de Arte Os governadores são os chefes do Poder Executivo estadual e têm atribuições como administrar o orçamento, sancionar ou vetar leis estaduais e definir prioridades em áreas como educação, saúde e segurança pública.
Em geral, os mandatos são de quatro anos, embora as regras e os limites à reeleição variem entre os estados. As eleições estaduais não determinam diretamente o controle do Congresso federal, mas podem influenciar políticas locais e servir como indicador da força dos partidos em diferentes regiões do país.
Como funciona o sistema eleitoral americano? As eleições são organizadas e administradas pelos próprios estados e por autoridades locais.
Não existe um órgão nacional — equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro — que centralize a organização e a apuração de todas as votações. As regras para registro de eleitores, votação antecipada, envio de cédulas pelo correio e horários de funcionamento dos locais de votação podem variar de um estado para outro.
Eleição nos EUA: Musk testa o que quase meio bilhão de dólares pode fazer na corrida eleitoral americana Antes da eleição geral, os partidos costumam realizar primárias para escolher seus candidatos.
Na votação de novembro, os eleitores escolhem entre os nomes que concorrem em cada distrito, estado ou cargo. Nas disputas para a Câmara, cada distrito elege um representante; no Senado, cada estado escolhe seus senadores quando há uma vaga em disputa.
A apuração também é feita localmente. Os primeiros resultados podem sair na noite da eleição, mas a definição de disputas apertadas pode levar dias, especialmente em estados onde há grande volume de votos enviados pelo correio.
A certificação oficial cabe às autoridades eleitorais estaduais. O que está em jogo para Trump?
As eleições de meio de mandato são tradicionalmente vistas como uma avaliação do presidente em exercício. Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca costuma perder cadeiras nas eleições intermediárias, quando eleitores insatisfeitos têm a oportunidade de alterar a composição do Congresso.
O presidente dos EUA, Donald Trump, chega para falar em um comício de campanha de meio de mandato no Rock Hill Sports & Event Center em Rock Hill, Carolina do Sul. KENT NISHIMURA / AFP
O cenário deste ano representa um desafio para Trump. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro apontou que 32% dos americanos aprovavam seu desempenho, enquanto 66% desaprovavam.
O levantamento também mostrou vantagem dos democratas na preferência dos eleitores para o Congresso: entre os que disseram ter maior probabilidade de votar, 53% escolheriam um candidato democrata, ante 44% que optariam por um republicano. Espelho no passado: Obama ressurge no palanque e inspira nova geração democrata
A economia aparece entre as principais preocupações. Na mesma pesquisa, 73% dos entrevistados disseram que o custo de vida estava caminhando na direção errada.
A inflação e os preços dos combustíveis, que subiram após o início da guerra com o Irã, pressionam a avaliação do governo. As pesquisas nacionais indicam uma vantagem democrata na disputa pelo Congresso, mas não determinam, por si só, quem ficará com a maioria.
'Não vamos sobreviver': Calor recorde e contas altas ameaçam deixar famílias sem eletricidade nos EUA Se a oposição assumir o controle de uma ou das duas Casas, Trump poderá enfrentar mais obstáculos para aprovar leis e financiar suas prioridades.
Uma maioria democrata também teria poder para ampliar a fiscalização do governo, abrir investigações e convocar autoridades para prestar esclarecimentos. No Senado, a mudança de comando poderia dificultar a confirmação de indicados pelo presidente para cargos de alto escalão e para o Judiciário.
Caso os republicanos mantenham o controle das duas Casas, Trump terá maior facilidade para avançar com sua agenda legislativa. O resultado, portanto, não muda o ocupante da Casa Branca, mas pode redefinir o equilíbrio de forças em Washington até o fim do mandato.
O Globo