247 – A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 9,3 bilhões, o equivalente a R$ 51,2 bilhões, no mês de outubro, impulsionada por um salto expressivo nas exportações de petróleo bruto, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) na sexta-feira (6).
O resultado representa uma alta de 39,4% em comparação com o mesmo período de 2025 e estabelece um patamar recorde para o mês na série histórica iniciada em 1989, em valores nominais. O saldo positivo foi decorrente de US$ 37,8 bilhões em vendas externas e US$ 28,4 bilhões em importações, patamares que também configuram recordes históricos para o décimo mês do ano.
Vendas externas crescem com forte avanço da commodity energética O principal motor do desempenho recorde da balança comercial foi a exportação de petróleo, que vivenciou uma expansão classificada por analistas como fruto de uma conjuntura internacional e doméstica específica.
No comparativo anual, os embarques da commodity avançaram 122,6% em valor e 62,9% em volume em outubro. O produto consolidou-se como o principal item da pauta exportadora brasileira, alinhando-se aos dados acumulados entre janeiro e outubro, período em que o setor faturou US$ 51,494 bilhões, conforme apontado pelo departamento de estatísticas da pasta.
O avanço das vendas externas do produto energético repercutiu de forma direta no comércio com grandes economias. As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram alta de 87% em relação a outubro do ano passado, com os combustíveis respondendo por mais da metade dessa expansão.
Com esse desempenho, a participação norte-americana nas vendas totais do Brasil subiu de 7,3% para 11,4% no período. De forma paralela, as vendas direcionadas à União Europeia cresceram 32%, elevando a fatia do bloco europeu de 14,5% para 16% na pauta exportadora nacional.
Fatores globais e paradas técnicas explicam alta nos embarques O diretor de estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Alves Brandão, destacou que o país tem consolidado sua posição como fornecedor relevante de energia em um momento de restrição global de oferta.
“O Brasil tem se consolidado como um importante fornecedor de petróleo em um cenário de restrição da oferta mundial, investindo em produção. Isso faz com que tenhamos capacidade de oferta para suprir a demanda global em um cenário de preço elevado”, afirmou.
No caso do mercado europeu, Brandão apontou que o país também colhe reflexos do acordo comercial com o bloco, que prevê a redução de tarifas de importação. Restrição no golfo Pérsico e estoques reduzidos sustentam cotações
No cenário internacional, a oferta da commodity oriunda do golfo Pérsico continua enfraquecida em decorrência da guerra no Irã. Embora tenha havido uma recomposição parcial nos últimos meses, o volume ofertado permanece significativamente inferior aos patamares anteriores ao conflito.
Além disso, os estoques comerciais estratégicos dos Estados Unidos continuam abaixo da média histórica, o que estimula a procura pelo produto brasileiro não apenas na América do Norte, mas também na União Europeia e na Índia. A conjuntura de restrição de oferta internacional veio acompanhada de valorização nos preços internacionais.
O barril do tipo Brent passou de US$ 102 em setembro para US$ 107,9 em outubro. O mercado observou um avanço dos preços na cadeia como um todo.
Tanto o volume quanto o preço das exportações cresceram, o que representou a combinação perfeita para elevar as receitas do petróleo. Paralelamente, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu prorrogar até o final de dezembro a cobrança de 12% do Imposto de Exportação sobre óleos brutos, medida voltada a assegurar o abastecimento do mercado interno e a matéria-prima das refinarias.
Desempenho da agropecuária e da indústria complementa o resultado Além do setor petrolífero, o comércio exterior brasileiro registrou expansão em outros segmentos produtivos em outubro.
A agropecuária apresentou crescimento de 12,8% nas exportações, impulsionada pelas comercializações externas de soja e de café não torrado. Já a indústria de transformação elevou suas vendas ao exterior em 7,7%, puxada por embarques maiores de combustíveis derivados, farelo de soja, celulose e carnes de aves.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços também pontuou que o salto de mais de 200% nas exportações de carne bovina para os Estados Unidos decorre de uma base de comparação deprimida no mesmo mês de 2025, período em que o produto ainda enfrentava sobretaxas naquele mercado.
“Num cenário marcado por tensões geopolíticas, o Brasil se mostra como um fornecedor confiável de energia e alimentos”, declarou a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres. Acumulado do ano supera marcas anteriores e importações avançam
Do lado das importações, os dados do Mdic indicam que a chegada de combustíveis ao país disparou 86,8% em outubro na comparação anual. Também houve altas na importação de bens de consumo, que cresceram 25,9%, de bens de capital, com avanço de 4%, e de bens intermediários, que registraram alta de 2,7%.
No acumulado dos dez primeiros meses do ano, o superávit comercial brasileiro alcançou a marca de US$ 71 bilhões, superando o saldo positivo de US$ 52,9 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho recorde de outubro superou levemente a expectativa do mercado financeiro, cuja mediana em pesquisa da Reuters projetava um saldo positivo de US$ 9 bilhões para o período.
Brasil 247