Existe um percentual de gordura ideal para mulheres? O que o caso de Ana Castela mostra

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A transformação física de Ana Castela voltou a repercutir nas redes sociais. Aos 22 anos, a cantora revelou ter reduzido o percentual de gordura corporal de 20,4% para 14,4%, resultado que comemorou publicamente e que também alimentou especulações sobre um possível uso de anabolizantes, hipótese rebatida pela artista. Agachamento búlgaro: como fazer o exercício que Ana Castela incluiu na rotina de treino Fotos antigas de Ana Castela viralizam: o que pode explicar as diferenças na aparência A mudança, no entanto, levantou outra questão entre os seguidores: afinal, um percentual de 14,4% de gordura corporal é considerado saudável para uma mulher? Segundo especialistas ouvidos pela ELA, não existe uma resposta que possa ser aplicada de forma geral. Mais do que perseguir um número, é preciso considerar fatores como idade, composição corporal, histórico de saúde, alimentação, rotina de exercícios e até o método utilizado para fazer a medição. Qual é o percentual de gordura considerado saudável? Caso de Ana Castela ajuda a entender Reprodução Instagram Para o médico Vagner Chiapetti, o principal cuidado é não transformar o corpo de uma celebridade em parâmetro individual. "Não existe um percentual de gordura de uma celebridade que possa ser considerado meta para todas as mulheres. Duas pessoas podem apresentar o mesmo número e ter condições metabólicas, quantidade de massa muscular, alimentação e demandas completamente diferentes. Quando um resultado aparece nas redes sociais sem todo esse contexto, existe o risco de as pessoas começarem a perseguir um número sem saber se ele é adequado para o próprio organismo", explica. Como reduzir o percentual de gordura de forma saudável? Além do número final, também importa entender como a perda de gordura aconteceu. Para o nutrólogo Murillo Monteiro, cofundador do Instituto Mutare, a estratégia deve priorizar mudanças sustentáveis, e não restrições radicais. "A alimentação pode contribuir para a redução do percentual de gordura quando promove um déficit energético sustentável, ou seja, quando a pessoa consome menos energia do que gasta ao longo do tempo. Isso não significa passar fome nem excluir completamente carboidratos ou gorduras. O mais importante é construir uma alimentação equilibrada, adequada às necessidades individuais e que possa ser mantida no longo prazo", afirma. Na prática, a orientação é priorizar vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais e boas fontes de proteína. Alimentos ricos em proteínas e fibras também podem favorecer a saciedade. Em contrapartida, o consumo frequente de bebidas açucaradas, álcool e ultraprocessados com alta densidade calórica deve ser reduzido. Outro ponto de atenção é a preservação da massa muscular durante o emagrecimento. "Dietas muito restritivas, com pouca proteína e sem estímulo muscular, podem provocar uma redução importante da massa magra. O objetivo de um bom processo de emagrecimento não é apenas diminuir o número da balança, mas reduzir gordura preservando músculos, força e funcionalidade", diz Murilo. Qual é o percentual de gordura considerado saudável? Caso de Ana Castela ajuda a entender Reprodução Instagram Existe um percentual de gordura ideal? Não há um índice único que determine, sozinho, se uma pessoa está saudável. Como referência para adultos, Monteiro cita uma faixa aproximada de 10% a 20% para homens e de 18% a 28% para mulheres. A interpretação, porém, deve levar em conta idade, condições clínicas e o método empregado na avaliação. "Mais importante do que analisar isoladamente o percentual é observar a distribuição da gordura, especialmente na região abdominal e visceral, além da circunferência da cintura, da quantidade de massa muscular e dos indicadores metabólicos. Percentuais excessivamente baixos também podem causar prejuízos hormonais, reprodutivos, imunológicos e de desempenho", destaca. O cardiologista Carlo Bonasso Filho reforça que um índice reduzido de gordura corporal não deve ser confundido, por si só, com boa saúde cardiovascular. "Não podemos resumir risco cardiovascular ao percentual de gordura. Pressão arterial, colesterol, glicemia, condicionamento cardiorrespiratório, histórico familiar, tabagismo, sono, alimentação e prática regular de atividade física fazem parte dessa avaliação. Saúde não significa ter o menor número possível na avaliação corporal", ressalta. Qual é o percentual de gordura considerado saudável? Caso de Ana Castela ajuda a entender Reprodução Instagram No caso de Ana Castela, os 14,4% divulgados pela cantora são apenas parte de uma avaliação que envolve outros fatores. Mais do que perseguir um número visto nas redes sociais, a orientação dos especialistas é olhar para o próprio corpo e para o conjunto de indicadores de saúde.

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