O canal Exército do Lula, apontado como uma das ferramentas de mobilização digital que contribuíram para a virada histórica de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026, tem inspirado outros grupos políticos da Europa e da Argentina. A iniciativa do deputado federal André Janones (Rede-MG), baseada na mobilização de apoiadores por meio de grupos de mensagens e ações coordenadas nas redes sociais, ganhou versões na França, Espanha e Argentina.
Em apenas dois dias, três dos principais canais estrangeiros inspirados no modelo brasileiro passaram, juntos, de 123 mil para 249 mil integrantes, crescimento de 102,44%. Na França, o L’équipe de Mélenchon officielle, formado por apoiadores do líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon, fundador do partido França Insubmissa (LFI), apresentou o maior crescimento.
O grupo saltou de 57 mil para 147 mil participantes em dois dias, alta de 157,89%. A mobilização ocorre em meio à preparação para as eleições presidenciais francesas de 2027.
Já na Espanha, apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), criaram o La fuerza de la gente (“A força das pessoas”). O canal passou de 25 mil para 42 mil integrantes no mesmo período, crescimento de 68%.
A comunidade compartilha vídeos, imagens e discursos de Sánchez e reproduz estratégias de mobilização adotadas no Brasil. Na Argentina, o Ejército del Peronismo (“Exército do Peronismo”), ligado à ala jovem e mais à esquerda do peronismo, cresceu 46,34%, passando de 41 mil para 60 mil participantes.
O movimento faz oposição ao governo do presidente Javier Milei e utiliza conteúdos relacionados à campanha brasileira como referência para organizar apoiadores e ampliar a circulação de publicações nas redes sociais. Grupos inspirados no ‘Exército de Janones’ crescem nas redes.
— Foto: Reprodução/Caixa Além da criação dos grupos, a estratégia desenvolvida por Janones despertou o interesse de lideranças estrangeiras.
Segundo informações divulgadas pelo g1, Pedro Sánchez convidou o deputado brasileiro para colaborar com sua campanha política na Espanha, que terá eleições no fim de novembro. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também teria convidado Janones para uma visita de trabalho ao país.
Apesar da rápida expansão, o cientista político Giuliano Salvarani pondera que o modelo brasileiro não necessariamente terá o mesmo impacto em outros países. Segundo ele, diferenças culturais, políticas e na maneira como cada população utiliza redes sociais e aplicativos de mensagens exigem adaptações da estratégia.
Para o especialista, no entanto, a experiência brasileira tende a influenciar futuras campanhas eleitorais e pode se transformar em uma estratégia de comunicação política exportada para outros países. Leia também: Janones, com seu exército de 10 milhões, retirou Lula, PT e esquerdas da letargia
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