Canal criado por André Janones chegou a 10 milhões de seguidores durante a campanha de Lula; deputado explicou a estratégia e descartou cargo no governo Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
Pelo espaço, o parlamentar enviava missões para mobilizar apoiadores, com tarefas que iam de vestir a camisa da seleção brasileira a realizar buscas coordenadas no Google. Janones chamou o modelo de organização de “democracia mitigada” e afirmou que ele foi necessário para vencer a eleição e garantir governabilidade.
O canal alcançou a marca de 10 milhões de seguidores em 23 de outubro de 2026, dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. A estrutura ganhou força durante a campanha eleitoral, quando Janones passou a organizar as chamadas missões, com tarefas que deveriam ser realizadas pelos participantes em datas e horários determinados.
Entre as tarefas estavam ações como vestir a camisa da seleção brasileira e fazer o gesto do L em um dia específico. Também havia orientações para realizar buscas determinadas no Google, com o objetivo de aumentar a visibilidade de determinados assuntos no buscador.
Na prática, a estratégia concentrava milhares de possíveis ações em torno de uma mesma orientação. Em vez de depender apenas de publicações individuais e espontâneas, o canal organizava mobilizações com instruções compartilhadas entre os seguidores.
A iniciativa chamou atenção pelo alcance que conseguiu atingir em poucas semanas e pela capacidade de coordenar ações digitais a partir de um único canal de comunicação. A expressão “democracia mitigada” foi um dos pontos de maior repercussão da entrevista de André Janones ao Fantástico, exibida em 1º de novembro.
Durante a conversa, o repórter questionou o deputado sobre a concentração de orientações no canal e perguntou se seria democrático dar uma ordem e ter 10 milhões de pessoas obedecendo. Ao responder, Janones reconheceu que o modelo não representa uma democracia plena.
O parlamentar, porém, justificou que a estratégia foi adotada como uma medida transitória, diante das dificuldades que, na avaliação dele, a campanha enfrentava na disputa por espaço nas plataformas digitais. “É o que eu chamo de democracia mitigada.
Não é a democracia no seu estado pleno, não é a democracia que eu quero pro nosso país, não é um modelo de democracia sustentável. Isso aqui é um modelo transitório, necessário pra gente vencer uma eleição, necessário pra gente poder dar governabilidade ao presidente a partir de agora.
Mas é um modelo que deve servir como transição”, disse Janones ao Fantástico. Com a declaração, Janones apresentou o Exército do Lula como uma ferramenta excepcional de organização política.
Ele argumentou que a mobilização coordenada foi necessária para enfrentar a disputa eleitoral e ajudar o presidente a construir condições de governabilidade. A mobilização não deve ficar restrita ao período eleitoral.
Depois da vitória de Lula, Janones indicou que pretende manter o canal ativo, mas com uma finalidade diferente daquela adotada durante a campanha. Em mensagens e áudios enviados aos seguidores, o deputado explicou que o próximo objetivo será ajudar o presidente a conseguir governabilidade no Congresso Nacional.
A mudança foi resumida pelo próprio parlamentar em uma mensagem ao grupo: “Essa vai ser a missão do nosso exército a partir de agora.” A intenção é aproveitar a estrutura de comunicação construída durante a eleição para mobilizar apoiadores em torno das pautas do governo e ampliar a pressão política em defesa das propostas de Lula.
A estratégia também pode continuar sendo utilizada em outras disputas políticas. Apesar de ter sido um dos nomes de destaque na mobilização digital da campanha, André Janones descartou assumir um ministério no quarto mandato de Lula.
Em entrevista ao Fantástico, o deputado afirmou que pretende continuar na Câmara dos Deputados e foi enfático ao falar sobre a possibilidade de integrar o governo: “Eu não vou aceitar nenhum ministério.
Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula.
Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo”. A decisão, segundo Janones, está relacionada à liberdade de atuação política que teria fora do Executivo.
Em mensagem publicada depois da entrevista, ele explicou que um cargo ministerial traria compromissos administrativos, reuniões e outras obrigações que poderiam limitar sua participação na articulação política. O parlamentar afirmou que pretende continuar ajudando Lula a partir do Legislativo, especialmente diante da composição do Congresso que assumirá em 2027.
Na avaliação de Janones, permanecer como deputado permitirá que ele mantenha a mobilização dos apoiadores e trabalhe para garantir sustentação política ao presidente. Sim.
André Janones foi reeleito deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026, com 78.780 votos, o equivalente a 0,69% dos votos válidos no estado. O parlamentar concorreu pela Rede Sustentabilidade, integrante da Federação PSOL-Rede, e foi eleito pelo quociente partidário.
Com o resultado, Janones continuará na Câmara dos Deputados a partir de 2027. Assim, o deputado pretende manter sua atuação política no Congresso e utilizar a estrutura de mobilização digital construída durante a campanha para ajudar o presidente a defender suas pautas. Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil.
Formada em jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), iniciou sua trajetória na comunicação em 2023. Tem experiência em reportagem, apuração, entrevistas e produção de conteúdo digital, com atuação em diferentes formatos jornalísticos e acompanhamento de temas de interesse público.
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