A contratação de Jorge Jesus para comandar o Sporting, em 2015, foi um dos maiores arrependimentos da vida de Bruno de Carvalho. A avaliação é do próprio ex-presidente do clube português, que voltou a criticar publicamente o treinador e a recordar os conflitos que marcaram a relação entre os dois.
Em entrevista ao podcast O Meu Clube é o Maior, da Rádio Comercial, o antigo dirigente afirmou que a chegada do técnico, celebrada na época pelos torcedores, acabou associada a um dos períodos mais difíceis de sua trajetória no futebol. Leia também: Rashford revela condição que impôs ao deixar o United e explica por que recusou rivais ingleses
Veja mais: Cristiano Ronaldo e uma despedida que não está à altura de seu legado — Independentemente dos torcedores do Sporting, que ficaram muito contentes, eu, que tive que trabalhar com ele, digo que um dos momentos mais infelizes da minha vida foi quando o contratei.
O que aconteceu depois? Acabei destituído — afirmou Carvalho. O ex-presidente também acusou Jesus de ultrapassar os limites de suas atribuições como treinador e de tentar interferir em diferentes assuntos do clube.
Para Carvalho, a relação profissional se tornou especialmente difícil nos bastidores, com episódios de pressão e desentendimentos sobre decisões internas. Galerias Relacionadas
Um dos casos relatados envolve uma conversa no Estádio da Pedreira, em Braga, antes de uma partida decisiva da temporada 2015/2016. Segundo Carvalho, Jesus teria condicionado sua participação no jogo à renovação de seu contrato.
— Quando Jorge se aproximou de mim, no Estádio da Pedreira, e disse: "Presidente, não vou a jogo se não renovar meus contratos". Se essa é uma maneira decente de renegociar um contrato...
— contou. O episódio não é inédito.
Em 2019, no livro Sem Filtro, Bruno de Carvalho já havia descrito a conversa e afirmado que o treinador ameaçou deixar o Sporting caso não tivesse uma resposta sobre a renovação antes da partida. Na ocasião, o dirigente classificou a atitude como uma forma de pressão.
Na entrevista mais recente, Carvalho também retomou a crise provocada pelo ataque à Academia de Alcochete, em maio de 2018. Na ocasião, integrantes de uma torcida organizada invadiram o centro de treinamento do Sporting e agrediram jogadores e integrantes da comissão técnica.
O episódio provocou uma grave crise institucional e contribuiu para o afastamento de Carvalho da presidência. O ex-dirigente afirmou que passou dois anos sendo insultado e humilhado e disse que sua família recebeu ameaças.
Também acusou Jesus de ter demorado a esclarecer, em depoimento judicial, quem havia marcado o treinamento realizado naquele dia. — Jorge Jesus teve que chegar ao tribunal e confirmar que foi ele quem marcou o treino.
Passei dois anos sendo insultado e humilhado, com minha família ameaçada. E o que Jorge Jesus fez? Sobreviveu.
Ele sempre consegue fazer coisas fantásticas — declarou. Bruno de Carvalho presidiu o Sporting entre 2013 e 2018.
Sua destituição foi aprovada pelos associados em assembleia geral realizada em junho daquele ano, em meio à crise que se agravou após o ataque à academia.
O Globo