247 – O ex-marido da empresária Karina Gama, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, procurou representantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) este mês na tentativa de negociar um acordo de colaboração premiada. Segundo informações publicadas no jornal Valor Econômico, a iniciativa de Wemerson Marinho da Gama sobre o longa que retrata a biografia de Jair Bolsonaro (PL) ocorreu no âmbito da investigação sobre possíveis desvios de recursos de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais (ONGs) ligadas à produtora Go Up Entertainment.
De acordo com o Valor Econômico, que confirmou a informação com três fontes ligadas ao caso, as conversas ainda estavam em estágio inicial e não deveriam registrar avanços antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), estava à frente do processo que examinava as suspeitas de irregularidades envolvendo as entidades e empresas de Karina Gama.
Atualmente, o financiamento de “Dark Horse” é apurado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga a origem, o valor, as circunstâncias e o destino dos repasses feitos pelo ex-banqueiro Vorcaro ao filme – o empresário é ex-controlador do Banco Master e está preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras. Na investigação dentro do STF, o atual presidenciável Flávio Bolsonaro figurava entre os investigados.
O segundo inquérito, conduzido pelo ministro Flávio Dino, examinava a suspeita de que a produtora Go Up Entertainment tenha utilizado recursos de emendas parlamentares para financiar o filme.
As negociações de Wemerson Marinho da Gama com a PGR ainda não contavam com a participação da Polícia Federal (PF). A expectativa entre pessoas que acompanhavam o caso era de que Wemerson pudesse fornecer documentos e outros elementos capazes de contribuir para a apuração de possíveis fraudes na estrutura empresarial mantida pela ex-companheira.
Entre as empresas relacionadas à investigação estava a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”. As autoridades buscavam esclarecer a destinação de recursos públicos encaminhados a organizações e projetos associados à empresária, além de eventuais conexões financeiras entre essas entidades.
A decisão de procurar a PGR ocorreu depois que Wemerson se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal, em setembro. Na ocasião, os agentes cumpriram mandados de busca por determinação do ministro Flávio Dino, dentro da investigação sobre o possível desvio de verbas públicas.
O inquérito examinava a aplicação de emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro. Os recursos tinham como destino ONGs e iniciativas vinculadas à empresária responsável pela cinebiografia do ex-presidente.
A investigação buscava identificar se os valores chegaram aos projetos previstos e se houve irregularidades na movimentação financeira das organizações beneficiadas. A apuração também alcançou pessoas e empresas relacionadas à estrutura de negócios de Karina.
A possibilidade de colaboração premiada poderia acrescentar informações ao trabalho dos investigadores, especialmente sobre a circulação de recursos entre as entidades. Até aquele momento, as autoridades não haviam anunciado a formalização de qualquer acordo com Wemerson.
Em declaração à Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (22), o advogado André Hespanhol, responsável pela defesa de Wemerson, reconheceu que a colaboração premiada figurava entre as alternativas jurídicas consideradas, mas ressaltou que a investigação ainda estava no começo.
“A hipótese de delação é uma, dentre diversas, no âmbito de qualquer defesa criminal, e é precipitado falar neste assunto em um inquérito que mal começou”, afirmou o advogado.
A produtora Karina Gama também havia se manifestado anteriormente sobre a possibilidade de uma colaboração com as autoridades. Em setembro, ela afirmou que sofria pressões para realizar uma delação e negou ter informações sobre irregularidades que justificassem um acordo.
“Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, declarou a empresária na ocasião.
As investigações sobre as emendas parlamentares e as operações financeiras relacionadas ao projeto cinematográfico continuaram sob análise das autoridades. A eventual colaboração de Wemerson dependeria do avanço das negociações com a PGR e da avaliação sobre a relevância das informações e provas que ele pudesse apresentar.
Brasil 247