Ex-CFO da Americanas assume negociação com credores da Casas Bahia

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Casas Bahia contratou Camille Faria, sócia da Althia Partners, consultoria que atua na reorganização de empresas em crise, para comandar a negociação com os credores e conduzir o plano de recuperação judicial da companhia. A chegada da executiva acontece dois dias após a Justiça aprovar o processamento da reestruturação da varejista, que tem um passivo de R$ 17,3 bilhões.

Camille participou da reestruturação da Oi e liderou a recuperação judicial da Americanas. Ela assumiu as diretorias Financeira e de Relação com Investidores da varejista após vir à tona um escândalo de fraude nos balanços financeiros da companhia.

Na Casas Bahia, a executiva assume a frente das negociações com credores substituindo Mateus Tessler. Segundo a companhia, a chegada de Camille "não altera a estratégia de reestruturação financeira e conta com o apoio e alinhamento do Conselho de Administração e da Mapa Capital", acionista controladora da varejista.

"O Grupo Casas Bahia reafirma seu compromisso com o diálogo com os credores e a construção de uma solução equilibrada e sustentável para o negócio", afirmou a empresa, em nota. 28 mil credores

Após deixar a Americanas, no fim do ano passado, Camille assumiu em fevereiro de 2026 como vice-presidente da Oncoclínicas, também em crise. Um mês depois, ela renunciou ao cargo após a rede de clínicas oncológicas assinar um termo de compromisso não vinculante com a Porto Seguro para a criação de uma nova empresa.

O negócio não foi à frente e, em agosto, a Oncoclínicas entrou em recuperação extrajudicial. Na Casas Bahia, Camille terá de negociar com mais de 28 mil credores.

A relação é diversa, e inclui desde bancos e fundos de investimentos até grandes fornecedores de eletrodomésticos e eletrônicos vendidos pela varejista. Encabeça a lista a Zurich Minas Brasil Seguros, parceira do grupo Casas Bahia na oferta de seguros como garantia estendida e proteções para celulares e eletrônicos.

A varejista deve à seguradora R$ 1,97 bilhão. Em seguida aparece o IBCB-AF01, fundo de investimento usado pela companhia para estruturar operações, com R$ 1 bilhão em aberto.

A Samsung é a terceira do ranking, com R$ 937,6 milhões a receber da varejista. Outros fornecedores também compõem a lista, como a Electrolux (R$ 700 milhões), a Whirpool (R$ 635,9 milhões), a LG (R$ 623,7 milhões) e a Motorola (R$ 619 milhões).

Já entre as instituições financeiras, o Bradesco tem R$ 655,6 milhões a receber, entre valores devidos ao Bradesco e ao banco Digio, controlado pelo Bradesco. A lista ainda inclui o Banco do Brasil (R$ 598,1 milhões) e o Itaú (R$ 208,3 milhões).

Recuperação segue Na quarta-feira, a Justiça de São Paulo aprovou o processamento do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, e deu 30 dias para que o grupo resolva pendências na documentação apresentada ao juízo.

Segundo a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os fluxos de caixa das empresas do grupo precisam ser individualizados e a lista de credores ainda está em atualização. A magistrada também manteve a proteção de 180 dias (período chamado de stay period) contra a execução de dívidas concedida a Casas Bahia em agosto, após a companhia admitir que houve "corrida de credores contra o patrimônio" da empresa desde a abertura do processo de recuperação, em 16 de agosto.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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