Conhecida por vender ingressos para ocasiões que vão dos shows de Paul McCartney à Fórmula 1, a Eventim está “importando” para o Brasil plataforma “self-service” já disponível na Europa e nos EUA que permite aos produtores gerirem a venda de ingressos de seus próprios eventos. Chamada de EVENTIM.Light, a plataforma vai permitir que a gigante alemã da bilhetagem dispute diretamente com a Sympla a digitalização da “cauda longa” do entretenimento no país, de baladas e festas de bairro a ocasiões para até mil pessoas.
— Chegamos ao Brasil depois de ganharmos a concorrência para os ingressos das Olimpíadas do Rio, há uma década, e nos estabelecemos junto a grandes eventos. Só que, em vários outros países, temos atuação mais ampla, abrangendo eventos menores.
O EVENTIM.Light é um grande sucesso na Alemanha e na Espanha, e agora estamos fazendo o mesmo no Brasil. A expectativa é que se torne uma parte relevante das receitas por aqui — afirma Jorge Reis, que fundou a ingresso.com e hoje é CEO da Eventim no Brasil.
Segundo a companhia, o objetivo da plataforma é atender organizadores de festas, baladas, bares, teatros, exposições e congressos. Ela permite que o produtor disponibilize ingressos para venda na plataforma, sem precisar estruturar operação própria.
Entre as funcionalidades da plataforma estão a possibilidade de montar seu próprio mapa de assentos e a capacidade de rastrear links em campanhas com influenciadores, conta João Paulo Kitsis, diretor comercial da EVENTIM Brasil. O produtor que usar o EVENTIM.Light paga taxa de 6% das vendas para a plataforma; logo, se o evento for gratuito, ele não paga nada.
De acordo com Kitsis, há a possibilidade de um evento iniciado na plataforma self-service migrar para a plataforma principal, na qual a taxa é de 14%. — Pensamos a plataforma para eventos até mil pessoas, mas sempre teremos o cuidado de dar o produto certo para cada evento.
Se o produtor precisa de uma catraca em seu evento, ele não é um produto para EVENTIM.Light, mas para o site principal. No Light, o celular do produtor é a catraca — explica Kitsis.
O executivo chegou à Eventim em janeiro, após quase sete anos na Sympla, plataforma de bilhetagem que se estabeleceu justamente nesse segmento de eventos menores. — Mais do que um concorrente específico, o desafio desse mercado é digitalizar um mercado que ainda é muito analógico.
Nossa missão é trazer para o mercado digital o cara que vende ingresso na porta — conclui. O movimento da Eventim se dá em momento de ebulição no segmento.
Apenas no primeiro semestre do ano, os eventos de cultura e entretenimento movimentaram R$ 76,9 bilhões no país, alta de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O dado é da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape).
O Globo