EUA põem presidente da Nvidia na mira após críticas a bloqueio de chips

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O jornal The New York Times revelou uma investigação dos serviços de inteligência dos Estados Unidos sobre uma suposta operação de espionagem chinesa que passa por uma executiva ligada ao presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang. A Nvidia nega envolvimento com espionagem.

O caso expõe como a crítica às restrições americanas à exportação de chips virou suspeita de segurança nacional em Washington. O episódio transformou o chefe de uma das empresas mais valiosas do mundo em alvo do próprio governo.

A guerra dos chips que começou em 2022 Em 26 de agosto de 2022, o governo dos Estados Unidos comunicou à Nvidia que precisaria de licença especial para vender à China dois dos seus aceleradores de inteligência artificial mais avançados, os chips A100 e H100.

A empresa estimou na época que a medida poderia custar até US$ 400 milhões em vendas no trimestre, cerca de R$ 2,2 bilhões. A regra mirou organizações chinesas com vínculo com o Exército do país, mas na prática abriu uma escalada.

Vieram as restrições de outubro de 2022, o aperto de outubro de 2023 e, em abril de 2025, o bloqueio ao H20, o chip que a Nvidia criou sob medida para o mercado chinês. A empresa registrou impacto de US$ 5,5 bilhões, cerca de R$ 30 bilhões, nos resultados por causa do H20.

Em agosto de 2025, a Nvidia chegou a aceitar repassar ao governo americano 15% da receita com a venda do H20 à China para obter as licenças de exportação. O arranjo foi lido como um pedágio sobre a operação de uma empresa privada, cobrado por quem deveria apenas regular o comércio.

Pequim classifica as restrições como violação das regras internacionais e cerco à sua indústria. O alerta que virou suspeita

Jensen Huang não escondeu o desacordo. Em aparições públicas, repetiu que fechar o mercado chinês à Nvidia só apressaria o desenvolvimento da indústria de semicondutores da China.

O argumento foi levado tanto ao governo de Joe Biden quanto ao de Donald Trump. Segundo o The New York Times, foi justamente essa disconformidade pública que alimentou as suspeitas do Departamento de Comércio, órgão responsável por fiscalizar o cumprimento das restrições de exportação.

Dali, Huang passou ao radar dos serviços de inteligência. O mesmo executivo que Washington precisava como aliado no cerco tecnológico à China virou, para a burocracia de segurança americana, um ponto de interrogação.

Criticar a política de exportação deixou de ser debate econômico e virou questão de lealdade. Quem discorda entra na lista de suspeitos.

A executiva que aproximou Huang do alvo O elo concreto da investigação é Alice Huang, conhecida como Huang Le, executiva da empresa singapurense Megaspeed.

Os serviços de inteligência americanos a vigiam há pelo menos dois anos e concluíram que ela trabalha para a inteligência chinesa, segundo o The New York Times. A Megaspeed opera centros de dados no Sudeste Asiático e aluga capacidade de computação a empresas chinesas, entre elas a Alibaba.

As autoridades americanas suspeitam que a empresa tenha ajudado organizações chinesas a obter, fora das restrições, os chips de Nvidia mais avançados. As suspeitas se adensaram pela proximidade entre Alice Huang e Jensen Huang.

Os dois mantêm, há pelo menos dois anos, uma relação profissional e social estreita, com encontros registrados em Taipé em junho de 2024 e maio de 2025. A Nvidia nega qualquer espionagem.

O caso, contudo, já produz efeito próprio. Uma relação de negócios virou peça de acusação, e o recado chegou rápido a quem vive do setor de tecnologia.

O que o cerco custa a quem não fabrica chips O aperto na cadeia de chips não fica entre Washington e Pequim.

A Nvidia concentra a produção dos aceleradores que treinam e rodam os modelos de inteligência artificial usados no mundo inteiro, e o Brasil depende desses chips para tocar seu plano de inteligência artificial e seus supercomputadores. Cada rodada de restrições encarece e limita o acesso à computação de ponta para países que não produzem os semicondutores.

Para o Sul Global, a disputa entre as duas maiores economias se traduz em dependência tecnológica mais cara e em menos margem para desenvolver modelos próprios. A Nvidia nega as suspeitas.

O caso deixa claro o custo de discordar. Para Jensen Huang, criticar o bloqueio de chips bastou para entrar na mira do próprio governo.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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