O Paraguai, um dos 15 países-membros do chamado Escudo das Américas, assinou um acordo com os Estados Unidos — idealizador da iniciativa — para a instalação do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL, pela sigla em inglês), em Assunção. Às portas do Brasil, o escritório norte-americano em território paraguaio é marcado pelo ineditismo e abre espaço para um protagonismo maior de Washington no combate ao crime organizado na América do Sul.
Em meio a uma visita de Christopher Landau, subsecretário de Estado norte-americano, à capital paraguaia, o presidente Santiago Penã viajou a Washington, onde se reunirá com John Ratcliffe, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), e com autoridades da área de segurança. Como a figura de Maduro vai se apagando na nova Venezuela de Delcy Rodríguez: 'Não há intenção de manter viva sua memória'Trump promete 'poderes inacreditáveis' e se coloca no centro da campanha eleitoral nos EUAEm comunicado, o Departamento de Estado anunciou que Landau e o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Ruben Ramírez Lezcano, assinaram um Acordo de Assistência para Interceptação Aérea.
O pacto fortalecerá a capacidade do Paraguai de monitorar e proteger o próprio espaço aéreo contra voos supostamente utilizados pelo narcotráfico. Washington também confirmou a liberação de US$ 5,5 milhões (cerca de R$ 27,7 milhões) para a luta paraguaia contra o financiamento do terrorismo, além de projetos dedicados à segurança fronteiriça e à capacidade de lidarcom provas digitais.
"O Departamento de Estado anunciou a criação, pela primeira vez, de um escritório do Bureau de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) em Assunção, o qual servirá também como um polo regional para a coordenação de programas do INL no Cone Sul", acrescentou a nota. O acordo firmado entre Paraguai e EUA também prevê o envio de um assessor em contraterrorismo a Assunção para ajudar a supervisionar e apoiar os novos compromissos e os programas de contraterrorismo em andamento.
"Este posto será o primeiro de seu tipo", sublinhou o comunicado da chancelaria de Washington. Professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cristina Pecequilo vê a instalação do escritório em Assunção como "parte do processo de reformulação da presença dos Estados Unidos na região da América Latina".
"É uma reformulação baseada na questão militar, a qual consolidará o Escudo das Américas dentro de uma região muito próxima ao Brasil", explicou ao Correio.Segundo Pecequilo, o Paraguai possui enorme importância estratégica para o Brasil, ao citar a usina hidrelétrica de Itaipu e o Mercosul.
"Trata-se de um movimento que demonstra o claro compromisso dos EUA de se manter cada vez mais presentes na América Latina e de fazer uma pressão direta sobre os países que não estão no Escudo das Américas", acrescentou. SensívelA estudiosa entende a presença americana como tema sensível à soberania paraguaia.
"É uma força estrangeira, independentemente de uma estrutura de cooperação, como o Escudo das Américas se qualifica. É algo que demonstra a intenção dos EUA de se manterem cada vez mais presentes e de securitizarem sua presença na região e a agenda de combate ao narcotráfico", disse Pecequilo. Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, admite incômodo com o avanço dos EUA.
"O Escudo das Américas ganha uma dimensão maior ante essa cooperação mais intensa e mais presente americana, o que levantou ao Brasil vários sinais de preocupação sobre o limite essa atuação conjunta. O Paraguai abriga uma fronteira viva e importante.
Até o momento, o governo brasileiro tem sido mais cauteloso em tentar entender as implicações e se isso pode causar algum tipo de problema até para a cooperação com o Paraguai, especialmente quando a gente fala do controle de fronteiras", afirmou ao Correio. O psicólogo e sociólogo paraguaio José Carlos Rodríguez, coordenador do relatório oficial contra violações dos direitos humanos e ex-integrante do "Mecanismo contra a Tortura", lembrou ao Correio que o Paraguai tem pouca soberania. "A instalação de um escritório de combate ao narcotráfico serviu de pretexto.
Durante a ditadura, os EUA atuavam contra as drogas e a 'subversão'. Essa abertura do escritório faz parte de um retrocesso democrático", observou. Rodríguez destacou que o oficialismo do Partido Colorado, no Paraguai, sempre mostrou-se favorável à direita dos EUA.
De acordo com ele, a presença militar dos EUA na América do Sul tinha abandonado o caráter institucional. "Agora, ela reaparece como incondicionalidade, no que diz respeito ao trumpismo." PRESENÇA CONSTANTESaiba mais sobre o Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL, pela sigla em inglês)ObjetivoA função do INL será a de servir como um polo regional para a coordenação do programa no Cone Sul. LocalizaçãoAssunção, Paraguai.Aporte financeiroO Departamento de Estado repassará ao Paraguai US$ 5,5 milhões (cerca de R$ 27,72 milhões) em assistência externa para apoiar o combate ao terrorismo, a responsabilização de narcoterrorismos e a operacionacionalização do INL. Apoio presencialDe forma inédita, os Estados Unidos enviarão a Assunção uma espécie de conselheiro sobre contraterrorismo.
Seu papel será auxiliar no monitoramento e no apoio a iniciativas novas e em andamento no âmbito de programas de contraterrorismo. ALIANÇA PELA SEGURANÇA O Escudo das Américas foi fundado em março de 2026, por iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em setembro, a aliança propôs sanções coletivas contra 24 grupos do crime organizado que atuam na América Latina e que consideram "uma ameaça imediata e compartilhada".
Além dos EUA, 14 países integram a iniciativa: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Entre os 24 grupos sancionados pelos EUA, no âmbito do Escudo das Américas, estão a Mara Salvatrucha, de El Salvador; o Tren de Aragua, da Venezuela; o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, do Brasil. EU ACHO...
Cristina Soreanu Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) (foto: Arquivo pessoal)"Sempre existe a preocupação com a presença militar americana tão próxima do Brasil. Há uma possibilidade de projeção de poder muito próxima aqui no Brasil.
Tínhamos essa preocupação em relação à Tríplice Fronteira, nos anos 2000, com a perspectiva de ameaça terrorista na região. Uma ameaça militar no Brasil dependerá muito da conjuntura aqui e nos EUA.
Não vejo, por enquanto, movimentações agressivas. Mas só a presença é a sombra da hegemonia se fazendo ver."Cristina Soreanu Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Saiba Mais Cidades DF TJDFT mantém condenação por dupla tentativa de latrocínio Política Parlamentares dos EUA cobram Zuckerberg por favorecimento a Flávio nas redes Cidades DF Zoológico de Brasília fechará no 2º turno das eleições
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