247 – O governo de Donald Trump deportou aproximadamente 980 mil pessoas entre 20 de janeiro de 2025 e 31 de julho de 2026, mas apenas 20% delas tinham condenação criminal. Os dados são de um levantamento do Instituto de Política Migratória (MPI), divulgado pela teleSUR nesta quinta-feira (22), que também identificou o crescimento das operações contra imigrantes estabelecidos havia anos nos Estados Unidos.
Cerca de 190 mil deportados haviam sido condenados por algum crime, segundo os números apresentados pela emissora. O resultado contrasta com o discurso da administração estadunidense de que a política migratória teria como prioridade retirar do país “os piores dos piores”.
O levantamento abrange pouco mais de um ano e meio do segundo mandato de Trump. Para reconstruir as estatísticas, os pesquisadores recorreram a pedidos de acesso a registros públicos com base na Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos, conhecida pela sigla FOIA.
Segundo a reportagem, o Departamento de Segurança Interna deixou de publicar estatísticas de deportação em janeiro de 2025. Os documentos obtidos pelo instituto permitiram reunir informações sobre as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
Deportações no interior do país ganham espaço Embora a maior parte das expulsões tenha ocorrido na região da fronteira, as operações no interior do território estadunidense ampliaram sua participação ao longo do período analisado.
A parcela das deportações decorrentes de detenções no interior passou de 28% em 2025 para 34% no primeiro semestre de 2026. Em julho, chegou a 39%, conforme o levantamento citado pela teleSUR.
Também houve aumento no número mensal de detenções nessas operações. A média passou de aproximadamente 8 mil nos três primeiros meses do mandato para 19 mil entre maio e julho de 2026.
A administração republicana deu visibilidade às ações por meio de vídeos nas redes sociais e de grandes operações em cidades como Chicago e Minneapolis. No conjunto do período pesquisado, cerca de 300 mil pessoas, equivalentes a 31% dos deportados, foram detidas no interior do país.
Segundo a reportagem, a maioria vivia havia anos em comunidades estadunidenses. Imigrantes com longa permanência foram atingidos
Ao excluir as devoluções realizadas diretamente pela CBP na fronteira, o estudo identificou que 61% dos deportados pelo ICE — aproximadamente 390 mil pessoas — estavam nos Estados Unidos havia pelo menos dois anos. Outros 15%, cerca de 90 mil, tinham uma década ou mais de residência no país.
Esse grupo está incluído entre os imigrantes com permanência mínima de dois anos. A ausência de condenação criminal também predominou nesses recortes.
Entre os deportados que viviam nos Estados Unidos havia pelo menos dois anos, 71%, aproximadamente 280 mil pessoas, nunca haviam sido condenados por um crime. Entre aqueles com dez anos ou mais de residência, o percentual sem condenação foi de 61%, correspondente a cerca de 57 mil pessoas, de acordo com os valores aproximados apresentados na reportagem.
Os dados tratam especificamente de condenações criminais. Essa condição é diferente da existência de uma acusação ou de uma investigação e delimita o alcance da comparação com o discurso oficial sobre o perfil dos alvos das operações.
Fronteira concentra 69% das expulsões Apesar dos níveis historicamente baixos de travessias na fronteira com o México, segundo a teleSUR, 69% das deportações envolveram migrantes interceptados na faixa fronteiriça.
Desse total, aproximadamente 340 mil pessoas foram devolvidas diretamente pela CBP. Outras 340 mil foram detidas na região da fronteira e, posteriormente, processadas pelo ICE para a retirada do território estadunidense.
O relatório também apresenta estimativas de 620 mil deportações no ano fiscal de 2025 e de 660 mil no ano fiscal de 2026. Esses totais correspondem a períodos fiscais distintos do intervalo usado para contabilizar as 980 mil expulsões desde a posse de Trump.
A Casa Branca estabeleceu como objetivo atingir um milhão de deportações anuais e prometeu realizar “a maior operação de deportação” da história dos Estados Unidos. As estimativas citadas no estudo permanecem abaixo dessa meta.
Brasil 247