Estagnação de Lula em pesquisas e escalada da crise no STF preocupam campanha petista

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Fonte da notícia: Valor Valor

A recente crise no Superior Tribunal Federal (STF) e a estagnação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas recentes pesquisas de intenção de voto acenderam um alerta na campanha. Petistas reclamam, em reserva, que a atuação do ministro André Mendonça nesta semana tem "viés político" prejudicial para eles, mas divergem sobre como a candidatura deve reagir.

Como o Valor mostrou, a retirada do sigilo de relatórios da Polícia Federal (PF) que mostram a suposta ligação entre ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro Alexandre de Moraes, na terça-feira (3), pegou o Planalto desprevenido e abriu uma preocupação imediata. Agora, com o acirramento da crise após o "contra-ataque" de Moraes na noite passada, a avaliação do entorno lulista é que, seja quem for o vencedor, a turbulência deverá afetar o Executivo. Fachin consulta ministros sobre assumir relatoria do caso Master Datafolha: Lula tem 38% e Flávio, 33% no primeiro turno; Cury vai a 8% Governo pede autorização do TSE para Lula discursar no 7 de Setembro

A leitura é que, a praticamente um mês das eleições, qualquer abalo institucional é prejudicial para a visão do eleitorado sobre a situação atual do país, como expôs o presidente em fala no Planalto nesta manhã.

Por isso, petistas passaram a dizer nos bastidores que, isolado no STF, Mendonça fez uma "jogada política" que pode reverberar positivamente para o grupo do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula. Na avaliação de apoiadores do presidente, o vazamento não só enfraquece a percepção sobre o julgamento dos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023, do qual Moraes foi relator, como ajuda a emplacar a teoria de que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi injusta e um "conluio".

Para articuladores das campanhas da base do governo, a exposição alimenta ainda um sentimento anti-Judiciário e a favor do impeachment de ministros da Corte, responsabilidade do Senado, o que impulsionaria a eleição de candidatos bolsonaristas, defensores dessa pauta. Eles argumentam que, mesmo que estes efeitos possam não ser a intenção de Mendonça ao liberar os relatórios, o vazamento impacta nas eleições. Procurada, a assessoria do ministro não respondeu até o fechamento da matéria.

Quando o vazamento ocorreu, a estratégia da campanha era que Lula não se envolvesse no assunto, mas, com a escalada da crise, começou a pesar no entorno do presidente que a ligação recente entre a sua figura e a de Moraes resvalasse no governo, e ele decidiu se pronunciar.

O presidente publicou um vídeo na noite de quinta-feira (3) em que defende as investigações de todos que estão relacionados com a fraude do Banco Master. Mas a principal mensagem veio nesta sexta-feira (4), em que disse para o presidente do Superior Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, resolver a questão e "passar o mínimo de tranquilidade [à população] sem tentar esconder absolutamente nada", durante evento no Palácio do Planalto.

Petistas explicam que a mudança de tom entre o vídeo mais comedido e a fala mais direta evidencia um conflito interno de como o presidente deveria se postar frente à crise. Gravado sob supervisão do ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira, e do marqueteiro da campanha, Raul Rabelo, a gravação procura um tom mais equilibrado, sem apontar dedos, estratégia defendida por grande parte da comunicação de Lula.

Outro grupo, no entanto, defende o segundo momento: um Lula mais solto e passando recados diretos, como no evento do Planalto. Na argumentação desses apoiadores, mais ligados à articulação e às redes sociais, o presidente é sempre o melhor porta-voz do governo e, quando ele passa a mensagem como quer, sem script, atinge mais pessoas. Não por acaso, ele disse, olhando para Fachin e com o microfone aberto, que caberia ao Supremo e à Procuradoria-Geral da República (PGR) resolver a crise, "o que quer dizer, indiretamente, que ele não tem nada a ver com isso", traduzem membros do governo.

Estagnação nas pesquisas Além da crise institucional, os resultados das pesquisas Quaest e DataFolha, divulgadas nesta semana, geraram preocupação na campanha por confirmar algo que os trackings internos já vinham mostrando: a curva de crescimento do presidente desacelerou. Apesar de seguir crescendo na pesquisa espontânea, quando os nomes não são citados, a progressão não era como a esperada pelos estrategistas, o que faz membros da candidatura questionar se chegaram ao teto.

Não há um consenso sobre a causa, se a crise relacionada às investigações do filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ou se, como tem reclamado Lula, a campanha "não está chegando ao povo".

Hoje, a principal preocupação da cúpula lulista são os números ligados à percepção da economia. Embora usem gráficos, comparações com o governo anterior e depoimentos para tentar mostrar as melhorias no dia a dia da população, o sentimento interno é que isso segue sem ser sentido pela população. Entre as principais reclamações estão o preço dos alimentos e o endividamento, dois pontos que já geram alerta no governo há mais de dois anos.

Alguns aliados aliviam, ponderando que Flávio também não tem crescido. Pessoas da comunicação com acesso aos pools apontam que, embora o presidente esteja apresentando um teto menor do que eles esperavam, o senador está no mesmo ritmo, o que indica um cansaço do eleitor com os dois nomes. Não é algo positivo, dizem, mas poderia ser pior, caso o bolsonarista apresentasse ascendência, e os traços indicassem o "efeito jacaré", quando a trajetória dos dois gráficos se cruzam e se invertem.

A solução também está longe de ser consenso: há quem defenda maior presença nas redes, há quem defenda mais eventos corpo a corpo e quem peça mais falas públicas. Por ora, organizadores têm citado a dificuldade em equilibrar a campanha e os eventos da presidência, muito embora Lula já esteja fazendo viagens e eventos no meio da semana, como ocorrerá na próxima quarta-feira (9), em Teresina, no Piauí.

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