Espriella demite ministro em meio a impasse fiscal na Colômbia

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente da Colômbia, Aberlardo De La Espriella, anunciou demissão do ministro do Interior, Rodrigo Lara, que será substituído por Alejandro Ordóñez. A mudança acontece em meio ao impasse no Congresso para o orçamento do próximo ano, o que tem levantado dúvidas sobre a capacidade do governo de avançar com a agenda fiscal e de tranquilizar investidores em relação às finanças do país.

Embora o presidente colombiano não tenha explicado o motivo da substituição, o cargo tem como uma das funções a condução da agenda do governo no Congresso. Pesquisas: Apoio a novos líderes de direita está em queda na América Latina

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A demissão de Lara e nomeação de Ordóñez acontece em meio ao impasse sobre o orçamento de 2027, em que Senado e Câmara não chegaram a um consenso e aprovaram versões diferentes. A falta de concordância obrigou Espriella a aprovar o orçamento, por decreto de aproximadamente US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão).

Mais cedo no mesmo dia, o vice-presidente José Manuel Restrepo pediu calma aos investidores e detentores de títulos durante o processo. Rodrigo Lara foi o primeiro membro do gabinete anunciado pelo direitista Espriella assim que venceu as eleições no país, em junho.

À época, ele foi descrito pelo presidente como "aquele que nunca, apesar de ser vítima de violência, deixou de trabalhar por seu país". Ex-deputado, o agora também ex-ministro ficou conhecido no país por ter sido vítima da violência política perpetrada pelo narcotraficante Pablo Escobar: seu foi assassinado a tiros a caminho de casa em Bogotá, durante o auge da luta contra o cartel de drogas, em 1984.

Na época, o Cartel de Medellín estava em guerra com o Estado colombiano para impedir a extradição de seus líderes para os Estados Unidos. a

A aprovação do orçamento por decreto causou críticas de políticos da esquerda, como a senadora Esmeralda Hernández. É que com o decreto do governo desaparecem cerca de US$ 950 milhões (cerca de R$ 4,8 bilhões) adicionais destinados à saúde, assim como verbas para subsídios de eletricidade e gás e programas voltados para os idosos:

— Por serem apressados e medíocres, acabaram fazendo as coisas de forma errada. No desespero de aprovar o orçamento para Abelardo, atropelaram o trâmite legislativo — afirmou a senadora, que foi a primeira a denunciar o erro.

Agora, o governo prepara um projeto de ajuste fiscal para reduzir o déficit orçamentário em mais de 2% do Produto Interno Bruto. Para Daniel Gómez, professor da Universidade de los Andes, os cofres do Estado não dispõem de recursos suficientes para viabilizar o Orçamento do governo, e seria necessário um corte de gastos.

O texto enviado pelo Executivo, aprovado pelo Congresso e agora reeditado com mudanças em algumas rubricas no novo decreto presidencial, projeta um déficit fiscal de 9,4% do PIB em 2027. Ordóñez é conhecido pelas fortes convicções católicas conservadoras, e está entre os principais opositores ao aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Colômbia.

Essas posições podem afastar alguns parlamentares de centro e dificultar aprovação de projetos no Congresso. Para Sergio Guzman, fundador da Colombia Risck Analysis, o governo está correndo um risco com a substituição e ignora o fato de ter vencido a eleição por uma margem pequena:

Investidores acompanham de perto a capacidade do governo de obter aprovação do Congresso para essa legislação, além dos planos para buscar assistência do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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