Equipes de Ruas e Couto iniciam transição no Rio com ‘diálogo franco’

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Fonte da notícia: Valor Valor

Passadas as eleições, a transição para o novo governo do Estado do Rio ganha os primeiros contornos. A equipe do governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, vem fazendo reuniões com representantes do governador eleito, Douglas Ruas (PL).

Integrantes de ambos os lados dizem que há bom diálogo entre as partes. A perspectiva é que os trabalhos se acelerem a partir da próxima semana com a participação direta de Ruas, que até domingo (25) vinha se dedicando à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio.

As secretarias e outros órgãos do Estado têm prazo até esta sexta-feira (30) para apresentar relatórios detalhados das respectivas atividades e precisarão listar os projetos mais sensíveis para a gestão de Ruas nos 100 primeiros dias de governo. “A orientação é passar todo tipo de informação possível que a equipe do governador eleito requeira.

Não tem nenhum grau de sigilo ou assunto que não seja possível de ser tocado”, disse ao Valor Flávio Willeman, secretário de Estado da Casa Civil. “O diálogo é franco, aberto e colaborativo como tem que ser a transmissão de governos democráticos”, afirmou Willeman, que coordena a transição pelo lado do governador Ricardo Couto.

Embora caiba a Ruas definir as prioridades, os relatórios devem indicar pontos de atenção para o começo do novo governo, incluindo contratos que vencem nos primeiros meses, como a concessão para distribuição de gás natural. Há ainda o trabalho envolvendo a modelagem da bilhetagem de mobilidade urbana (barcas e trens), a preparação para os possíveis impactos do fenômeno El Niño e a realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA, cuja final será no Maracanã, em 25 de julho.

Segundo interlocutores, Ruas deve anunciar uma redução no número de secretarias, diminuindo a estrutura do Executivo. Ao assumir o cargo de governador em exercício do Rio no fim de março, depois da saída do então governador Cláudio Castro - que renunciou tentando evitar a cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que não conseguiu -, Couto cortou cerca de 6,6 mil cargos comissionados no Executivo.

Com Ruas, a Secretaria de Segurança Pública deve ser recriada, seguindo promessa de campanha do agora governador eleito. O novo modelo para a segurança pública é visto como prioridade para os primeiros 100 dias do governo Ruas.

As contas públicas são outro desafio para o novo governador. A previsão inicial era de que o Rio tivesse um déficit de R$ 19 bilhões neste ano, mas o Estado deve fechar 2026 com superávit.

O resultado será possível por cortes de gastos e aumento da arrecadação, sobretudo na área de combustíveis. A expectativa é fechar o ano com pelo menos R$ 1 bilhão em caixa.

Mas esse valor pode aumentar a partir de outras iniciativas esperadas, como um acordo tributário do Estado do Rio com a Petrobras, que pode trazer algo como R$ 2 bilhões aos cofres estaduais, disse Willeman. Procurada para comentar o tema, a Petrobras não respondeu.

Outro tema a ser enfrentado por Ruas é a formação do secretariado. O governador eleito anunciou a vice-governadora, Fernanda Louback (PL), como secretária de Estado da Inclusão e da Mulher.

Outros nomes devem ser confirmados nos próximos dias. Maria Gabriela Bessa, coordenadora da equipe de transição de Ruas, deve assumir a Casa Civil.

Presidente do PL no município do Rio, Bruno Bonetti, é cotado para a secretaria de relações institucionais. Na secretaria de governo deve assumir o deputado estadual Jair Bittencourt.

Fábio Araújo, homem de confiança de Ruas, deve ficar com a chefia de gabinete. São esperados anúncios de Ruas sobre o secretariado a partir da semana que vem.

Até agora Ruas vinha se dedicando à campanha de Flávio Bolsonaro no Estado. Na segunda, Ruas publicou um vídeo em que reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

“Durante toda a campanha eleitoral, estive ao lado de Flávio Bolsonaro, a quem sempre serei leal. Na minha opinião foi o candidato que apresentou as melhores propostas para construir um futuro melhor para o nosso país, mas é preciso respeitar a decisão do povo”, declarou o governador eleito.

Ruas não se manifestou sobre a carta golpista publicada por Flávio após a fuga para os Estados Unidos, na quarta-feira (28). Membro de seu comitê de transição, Bonetti diz que a relação do governador com Lula deverá se guiar pelo respeito às instituições e pelos esforços para projetos de interesse dos fluminenses.

“Quando o governador senta com o presidente da República a fervura da política deve baixar e a institucionalidade vai ser respeitada. Ruas quer o melhor pro Rio e Lula quer o melhor pro Brasil.

Apesar das discordâncias políticas, o que nos une é querer fazer o melhor”, diz Bonetti. Já Ricardo Couto deve seguir acumulando o governo do Estado até 5 de janeiro, véspera da posse de Ruas, no dia 6.

A partir de então, Couto deve voltar a se dedicar exclusivamente às funções de desembargador e presidente no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ). Aliados de Lula já defenderam o nome de Couto para uma vaga ao STF.

Em 30 de novembro, haverá eleição para presidente do TJ que elegerá o substituto de Couto. Willeman disse ainda que não cabia a ele comentar a tentativa do PSD, de Eduardo Paes, candidato derrotado nas eleições no Estado, de tentar restabelecer o segundo turno no Rio.

“Minha função é coordenar e trabalhar com o governador eleito”, disse Willeman. O PSD entrou com uma ação no STF sobre o tema e o caso foi distribuído ao ministro Cristiano Zanin que aguarda a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advocacia-Geral da União (AGU) para análise.

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