Entrevista: 'Quero usar minha experiência para ajudar o Rio a sair deste caos', afirma Benedita; assista

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Nesta semana, o GLOBO mostra as ideias e propostas dos principais candidatos às duas vagas para o Senado Federal pelo Rio de Janeiro. A deputada federal Benedita da Silva (PT) fala sobre o apoio a Eduardo Paes (PSD) e afirma que, caso eleita, não estará na Casa Legislativa pedindo impeachment (de ministros do Supremo Tribunal Federal) sem investigação. Marcelo Crivella: Candidato ao Senado diz que ‘a tempestade passou' e agora está de volta; assista Pedro Paulo: ‘Não vou ao Senado para discutir Terra plana ou banheiro unissex’, diz candidato do PSD; assista Assista à entrevista: A senhora se elegeu senadora em 1994. Por que disputar o mesmo cargo 32 anos depois? Porque o Brasil precisa, e meu estado também. Quero usar minha experiência para ajudar o Rio a sair deste caos. Hoje temos um buraco no Senado. Não conhecemos nossos representantes, à exceção de um que é jogador de futebol (Romário). Os outros não envolvem a sociedade. Você não pode receber o mandato e ficar sentado numa cadeira. E o senador Flávio Bolsonaro? O que ele fez para o estado? Esta família trabalha na área da segurança. Quantos projetos apresentaram para o Rio? O PT apoia Eduardo Paes (para governador), que pertence a outro campo político no Rio. Por quê? Precisamos ajudar o Rio e queremos reeleger o presidente. Não se faz alianças com os iguais. Aliança se faz com os diferentes. Lula só venceu quando compreendeu que o PT sozinho nunca iria eleger um presidente. A senhora abriu caminho às mulheres na política, mas fez dobradinha com Pedro Paulo, não com Monica Benicio. Como explica essa escolha? A população compreende que a Benedita não negou suas bandeiras. O partido tem aliança com o PSD. A chapa que acordamos tem Lula, Paes, Benedita e Pedro Paulo. Gosto da Monica. É minha amiga, uma pessoa excelente. Já conversamos, e ela também entende. O partido dela está em aliança com Lula, mas não tem aliança no estado. Seu primeiro suplente, Manoel Severino, admitiu ter feito caixa dois e foi demitido da presidência da Casa da Moeda no escândalo do mensalão. Por que incluí-lo na chapa? Lamento que, no momento eleitoral, as disputas deixem os argumentos e passem para questões pessoais. “Eu acuso aqui, você acusa ali”. “Eu quero isso, você não quer dar, então vou fazer assim”. Manoel é fundador do PT e tem ficha limpa. Mas a escolha dele dividiu o próprio partido. Lamento. Não pude atender o indicado do Washington Quaquá naquele momento. Já precisei deixar o Senado com quatro anos de mandato para atender meu partido. Cesar Maia está pedindo voto para a senhora. Pensei que nunca veria isso acontecer... Eu também. E me surpreendi porque ele fez isso espontaneamente. Foi fantástico, maravilhoso. Fomos deputados juntos. Fizemos uma disputa para a prefeitura (em 1992). Eu não cheguei, ele chegou. Continuei minha vida, e ele, a dele. Nunca tivemos uma situação constrangedora. Acho que foi a consciência do Cesar Maia. Ele pensou: “Vou retribuir aqui a Benedita”. Política não pode ser feita com o fígado. Sou da paz. Se perdi, vou fazer outra coisa. É sinal de que Deus tem um plano melhor para mim. Estou muito disposta. Diante da minha idade... tenho certeza de que contribuí para as mulheres que estão chegando agora. Teremos deputadas negras. Então posso voltar ao Senado. A senhora está com 84 anos. Se eleita, poderá ficar no Senado até os 92. Acredita que terá disposição para exercer todo o mandato? Já combinei com o Lula: “Aconteça o que acontecer, não me peça mais para deixar o mandato no meio”. A não ser que Deus me chame antes. Se não chamar, vou até o final. Meu pai morreu aos 107 anos. Lúcido, lúcido. Já aviso que quero viver até um pouco mais. Estou bem, com saúde e com vontade. A direita quer fazer maioria no Senado para aprovar o impeachment de ministros do STF. Se eleita, como se posicionará sobre isso? Ninguém vai contar com a Benedita para ficar pedindo impeachment sem investigação. Não vou ao Senado para isso. Os Poderes são independentes e devem ser harmônicos. Quem fez alguma coisa terá o direito de se defender. Constatado que fez, vai pagar. Cada um é responsável por suas ações. Não quero passar a mão na cabeça de ninguém, mas é preciso ter muito cuidado para não levar descrédito ao Supremo. O que pensa do caso Alexandre de Moraes? O Supremo é quem deve resolver esta questão, não o Senado. O Supremo deve explicações, disso não tenho dúvida. Lula ainda não conseguiu aprovar o fim da escala 6x1 no Senado. A que atribui isso? Desde o período escravocrata, a elite nunca aceitou mudanças nos direitos dos trabalhadores. Não queriam que libertassem os escravos. Depois trocaram o chicote pela caneta. Não teve escola, não teve universidade. Foi assim com Getúlio na questão do salário mínimo: “Pronto, agora o Brasil acaba”. Foi assim na questão da trabalhadora doméstica. Com a 6x1, é a mesma coisa. E a PEC da Segurança? Todas as medidas do presidente estão sendo engavetadas para depois da eleição. Acham que, se votarem o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança, o Lula vai ser reeleito. Desculpem, mas ele será reeleito com ou sem isso.

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