Beijing, 2 nov (Xinhua) — A experiência do Partido Comunista da China (PCCh) na construção partidária e no aprimoramento de sua capacidade de governança constitui uma referência importante, afirmou Pedro de Oliveira, quadro militante e assessor da Presidência do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em uma entrevista recente à Xinhua.
A observação ocorre no contexto da quinta sessão plenária do 20º Comitê Central do PCCh, realizada de 26 a 29 de outubro, em Beijing. A reunião foi presidida pelo Birô Político do Comitê Central do PCCh e aprovou a Decisão do Comitê Central do Partido Comunista da China sobre Algumas Importantes Questões Relativas ao Avanço da Administração Interna Rigorosa do Partido em Todos os Aspectos com Perseverança.
Oliveira afirmou ter ficado particularmente impressionado com a ênfase dada pelo PCCh à necessidade de fortalecer a administração interna plena e rigorosa do Partido e de adotar medidas concretas para enfrentar os problemas proeminentes na construção partidária. O combate à corrupção é um dos exemplos mais claros dessa orientação, apontou o dirigente comunista brasileiro.
Segundo ele, os intensos esforços anticorrupção, especialmente desde o 18º Congresso Nacional do PCCh, realizado em 2012, têm contribuído para preservar a legitimidade do Partido perante a população e garantir a fidelidade institucional aos seus objetivos. Oliveira também destacou que o sistema estruturado de formação, gestão e avaliação de quadros é uma demonstração da notável capacidade de governança do PCCh.
Ele citou como exemplo a rotatividade de quadros entre diferentes regiões e níveis, que lhes permite acumular experiência de governança em contextos econômicos e sociais variados. “O intercâmbio entre províncias desenvolvidas do litoral e regiões menos desenvolvidas do interior ajuda os quadros a construir uma visão administrativa diversificada antes de assumirem cargos de maior responsabilidade”, disse.
Outro ponto ressaltado por ele é a avaliação de desempenho orientada por resultados. “Os quadros e membros são avaliados com base em indicadores concretos, como erradicação da pobreza, estabilidade social, preservação ambiental e inovação tecnológica”, explicou.
Para além da rigorosa administração interna, Oliveira atribui a vitalidade do PCCh à capacidade de adaptar os princípios fundamentais do marxismo às condições concretas da China. “O PCCh adotou a prática da teoria do socialismo com características chinesas, adaptando a ideologia às fases específicas de desenvolvimento do país, evitando assim a rigidez dogmática”, acrescentou.
Essa capacidade de adaptação também se reflete na condução das reformas da China. Em vez de recorrer a mudanças abruptas, como as chamadas “terapias de choque”, o PCCh adotou uma abordagem gradual e experimental, resumida na conhecida expressão “atravessar o rio sentindo as pedras”, disse Oliveira.
“Com esse cuidado, as políticas públicas complexas são testadas primeiro em nível municipal ou regional, como em Shenzhen na década de 1980, para posterior correção de falhas e generalização em escala nacional”, explicou. O planejamento de longo prazo é outro elemento que assegura a continuidade das políticas de desenvolvimento da China.
“Diferente de sistemas baseados exclusivamente em ciclos eleitorais de curto prazo, o PCCh baseia sua gestão no planejamento plurianual e em metas de longo prazo”, observou. Oliveira apontou que esse modelo de governança permitiu ao PCCh entregar resultados tangíveis em benefício do seu povo, entre eles o crescimento econômico, a modernização da infraestrutura e a erradicação da pobreza absoluta.
Para ele, a capacidade de administração interna e as reformas contínuas constituem um dos aspectos mais importantes da experiência do PCCh. “Tem sido muito importante e exemplar a contínua atividade de autocrítica e reforma do PCCh no sentido da modernização e revitalização de todas as dimensões do desenvolvimento econômico, social e político do país”, concluiu.
Fonte: Agência Xinhua —
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