Entre mentiras e ataques pessoais, Lula e Bolsonaro debateram-se na tv para conquistar eleitores indecisos

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Fonte da notícia: Euro News Euro News

O debate na TV Globo durou duas horas e deu aos candidatos a oportunidade de falarem sobre os seus planos na presença um do outro. Há cinco dias, os dois trocaram farpas e acusações na TV Band, e o mesmo não faltou no debate desta sexta-feira, que, apesar de ter sido mais calmo, registou três momentos tensos.

Começando pelo insulto de Flávio Bolsonaro, que chamou Lula de “Nove Dedos”: “O presidente dá com uma mão e tira com nove dedos”, acusou o senador, referindo-se à corrupção. Aos 17 anos, Lula da Silva sofreu um acidente de trabalho que resultou na perda do dedo mínimo da mão esquerda enquanto trabalhava como metalúrgico.

Ofendido, o líder de esquerda de 80 anos exigiu um pedido de desculpas. “Ele vai ter de pedir desculpa.

Porque os trabalhadores estão a observar. Milhões de trabalhadores sofrem acidentes devido à irresponsabilidade dos empregadores.

(Estão) a ser forçados a fazer turnos que não devíamos ter de fazer”, afirmou Lula, irado. “Eu era menor de idade e trabalhava à noite (quando o acidente aconteceu)”, acrescentou.

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, acabou por pedir desculpas. “Lula, se o ofendi ao chamá-lo de “nove dedos”, peço sinceras desculpas.

Não tive a intenção de o ofender”, disse o candidato da extrema-direita. O segundo momento, destacado pela análise da Associated Press, ocorreu quando Lula, em resposta ao “nove dedos”, chamou Flávio Bolsonaro de “miliciliano”.

“Não vou permitir que um miliciano me chame de “nove dedos”, disse o candidato de esquerda, referindo-se ao crime organizado. A expressão “miliciliano” refere-se a grupos ligados a polícias que atuam em comunidades carentes do Rio de Janeiro.

Durante a presidência de Jair Bolsonaro, dois oficiais da PM foram homenageados por "indicação do senador Flávio Bolsonaro". Mais tarde, um dos oficiais foi apontado pela Polícia Federal como ex-chefe de uma milícia e condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 56 anos de prisão por participação nos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

O outro oficial foi morto numa operação no sul da Bahia para capturá-lo. A família alega que ele foi "silenciado".

Flávio rejeitou qualquer envolvimento com milícias e prometeu combater esses grupos de "narcoterroristas", classificou o senador. O terceiro momento tenso ocorreu entre Flávio Bolsonaro e a mãe de uma menina de 5 anos, morta num tiroteio que envolveu um policial que tinha o senador como seu advogado.

Flávio afirmou que não acredita que o seu cliente seja culpado. “Estou confiante de que não foi este polícia que disparou aquele tiro”, disse Bolsonaro.

A mãe da criança, que foi levada ao debate pela campanha de Lula, gritou da plateia: “Ela está morta”, o que gerou um momento tenso no estúdio. Durante cerca de duas horas, Lula e Bolsonaro debateram o valor do salário mínimo, que Lula diz ter aumentado durante o seu mandato.

As políticas de segurança pública (e o crime organizado contra o qual Flávio promete ser implacável), as iniciativas relacionadas ao sistema de saúde gratuito do Brasil (e a falta de investimento apontada ao programa de Flávio), os incentivos ao agronegócio e a corrupção. Nas considerações finais do debate, Lula lembrou que, no domingo, os brasileiros vão votar entre a democracia e a "milícia" bolsonarista.

Já Flávio Bolsonaro destacou que vai combater o crime organizado. Durante a tarde deste sábado, espera-se que ambos os candidatos levem dezenas de milhares de apoiantes às ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo, no seu último esforço antes da votação de domingo.

No Brasil, as campanhas eleitorais não incluem o dia de reflexão na véspera de ir às urnas. Na primeira volta, Flávio Bolsonaro venceu Lula por 47% contra 45% dos votos, e as sondagens recentes sugerem um novo empate entre os dois candidatos numa disputa muito renhida.

O voto dos indecisos será determinante para ambos. Uma vitória de Bolsonaro aumentaria a influência dos EUA na América Latina, uma vez que os Bolsonaros são aliados do presidente norte-americano Donald Trump.

Se Lula vencer, o Brasil manterá a distância em relação a Washington e continuará a aprofundar as suas relações multilaterais com todos os países com os quais mantém relações, incluindo a China. O vencedor ficará à frente da maior economia da América Latina e de uma população de 214 milhões de habitantes.

Publicação Original Euro News pt.euronews.com
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