A falta de padronização na classificação dos fundos imobiliários brasileiros pode dificultar a análise do setor por investidores estrangeiros e limitar a entrada de capital no mercado nacional. Para enfrentar esse problema, a LAREAL (Latin America REITs Association) lançou uma metodologia que estabelece critérios para identificar a atividade efetivamente desempenhada pelos FIIs.A proposta utiliza exclusivamente as demonstrações financeiras auditadas dos fundos para determinar sua classificação.
A intenção é substituir os diferentes critérios adotados por entidades de mercado, portais e casas de análise por uma referência comum, baseada em dados verificáveis e atualizada periodicamente.A iniciativa ocorre em um momento de expansão do setor. Segundo dados da B3 citados pela associação, o número de investidores em fundos imobiliários passou de aproximadamente 630 mil, no fim de 2019, para mais de 3,3 milhões em setembro de 2026.
As pessoas físicas detêm atualmente 72,5% das cotas.Apesar desse crescimento, não existe um critério compartilhado para definir a categoria de cada fundo. Enquanto algumas classificações consideram o mandato previsto no regulamento, outras utilizam relatórios gerenciais ou apresentações das gestoras.
Além disso, os critérios e a frequência de atualização variam entre as instituições.Na avaliação da LAREAL, o mandato de um fundo nem sempre representa sua atividade efetiva. Um FII multiestratégia, por exemplo, pode concentrar seus investimentos em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) durante períodos de juros elevados, passando a ter resultados predominantemente relacionados ao crédito imobiliário.
Operações de troca de cotas e fusões também podem alterar a composição dos portfólios ao longo do tempo.
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