Entenda por que Ronaldo Caiado admitiu que poderá ser candidato a governador em 2030

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Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

O maior estrategista político de Goiás é o ex-governador Ronaldo Caiado, do PSD. Em 2018, Ronaldo Caiado foi eleito governador derrotando o MDB de Daniel Vilela (se tornou um hábil estrategista) e o PSDB de Marconi Perillo (era a primeira derrota imposta ao grupo do tucano-chefe).

Em 2022, Ronaldo Caiado, então no União Brasil, aliou-se a Daniel Vilela, que se tornou seu vice. Foram eleitos no primeiro turno.

Ali, anos antes, o estrategista preparava duas coisas: a eleição de Daniel Vilela em 2026 e a sua volta em 2030. Ronaldo Caiado, ex-senador e ex-governador: o maior estrategista político de Goiás | Foto: Divulgação

Isto sugere que Ronaldo Caiado avaliou que não tinha chance para presidente da República, em 2026? Não. Ele realmente acreditou que poderia romper a polarização entre a esquerda (presidente Lula da Silva, do PT) e a extrema direita (Flávio Bolsonaro, do PL).

Como o projeto de 2026, em nível nacional, não deu certo, Ronaldo Caiado concentrou-se na eleição de Daniel Vilela para o governo e Gracinha Caiado para o Senado. O postulante do MDB venceu no primeiro turno, com quase 60% dos votos válidos.

Com um aspecto dos mais interessantes: Daniel Vilela impôs uma derrota histórica ao velho algoz do MDB e de Iris Rezende Machado (o derrotou três vezes para o governo do Estado) — Marconi Perillo. O tucano, para piorar, ainda ficou em quarto lugar, atrás do senador Wilder Morais (o segundo colocado) e, até, de Luis Cesar Bueno (o terceiro colocado), do PT.

Não foi apenas uma derrota. Foi um vexame generalizado.

O PSDB não elegeu governador, senador e nenhum deputado federal e só elegeu dois deputados estaduais (José Machado e Gustavo Sebba). Daniel Vilela: fundamental mesmo é fazer um bom governo, mas todo político pensa no futuro | Foto: Divulgação

Iris Rezende, se estivesse vivo, se sentiria vingado. Ele não viveu para ver Marconi Perillo derrotado numa disputa para o governo do Estado.

Certamente, como um político leal e profissional, agradeceria a Daniel Vilela. Penhoradamente.

(Adriana e Cristiano Rezende, filhos de Iris Rezende, certamente comemoraram a derrota do algoz político do pai.) Como assumiu o governo em abril de 2026, a partir de 2027, Daniel Vilela estará indo para seu segundo mandato consecutivo de governador.

Portanto, não poderá disputar mandato para o governo em 2030. Deverá postular, possivelmente, um mandato de senador (seu adversário tende a ser, mais uma vez, Wilder Morais, cujo mandato acaba em 2030).

Quem na base governista disputará o governo de Goiás em 2030? Até agora, não havia, como costumam dizer os políticos, um candidato — pré-candidato ou quase-candidato — “natural”. Não havia.

Agora, há. A base governista tende a bancar Ronaldo Caiado para o governo em 2030.

Ele próprio já admitiu isto. Luiz do Carmo: projeto de 2030 passa por Ronaldo Caiado e Daniel Vilela | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Como assumirá o governo em abril de 2030, qual será o papel do vice-governador Luiz do Carmo, do Podemos? Pavimentar a estrada para duas campanhas: a de Ronaldo Caiado para governador e a de Daniel Vilela para senador. Ao ser indicado vice, o ex-senador sabia que esta era sua missão: criar estrutura político-eleitoral para os dois aliados, em 2030.

Ele tem fama de ser leal e sério. Frise-se que, ao admitir que pode ser candidato a governador, Ronaldo Caiado não está fechando as portas para ninguém.

Está apresentando-se como o que verdadeiramente é: um estrategista político de primeira linha. Seu posicionamento, desde já, “assusta” os adversários (não seus aliados, que se sentem fortalecidos, ante a possibilidade de continuidade de um projeto amplamente vencedor).

Quem irá enfrentar um político que deixou o governo com 88% de aprovação e contribuiu, de maneira decisiva, para eleger o seu sucessor? Wilder Morais, senador, tende a disputar mandato de deputado federal em 2026 para não se tornar o novo Marconi Perillo, acumulando derrotas sucessivas | Foto: Bruna Ariadne/Jornal Opção

Marconi Perillo possivelmente irá a deputado federal ou estadual (comenta-se, inclusive, que pode disputar a Prefeitura de Pirenópolis). Wilder Morais, que não é nada bobo, apesar da fala enrolada, deverá se candidatar a deputado federal, pois não vai querer enfrentar nem Ronaldo Caiado, para o governo, nem Daniel Vilela, para o Senado.

O PT de Adriana Accorsi dever apresentar candidato a governador, talvez, mais uma vez, Luis Cesar Bueno. É só para constar e marcar posição.

A política de Goiás, entre 2027 e 2030, vai orbitar em torno de Daniel Vilela e Ronaldo Caiado. Os dois estão alinhadíssimos — são carne e unha.

Estrategistas são assim: sabem ampliar seus espaços — e bem cedo, quando ninguém esperava — e sabem “bloquear” os espaços das oposições, antecipadamente. (E.F.B.)

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