Entenda por que crise bancária no Paraguai levou à renúncia de Peña

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Fonte da notícia: Poder 360 Poder 360

O presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado, direita) anunciou nesta 5ª feira (5.nov.2026) sua renúncia ao cargo. A decisão foi anunciada depois do colapso do Ueno Bank, o maior banco digital do país, o que fez com que parte dos congressistas pedisse pelo impeachment do presidente.

A Câmara dos Deputados do país aprovou por unanimidade o julgamento de impeachment contra o mandatário –mesmo com a sua renúncia. Os opositores ao governo defendem que Peña seja formalmente retirado do cargo antes de deixá-lo, para que perca o foro privilegiado. O político assumiu o governo do Paraguai em 2023.

Foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. Senadores da oposição solicitaram a convocação de uma sessão extraordinária do Senado para tratar exclusivamente do julgamento de Peña.

O pedido, apresentado após a Câmara dos Deputados aprovar o julgamento contra o presidente, solicita que o Senado exerça suas atribuições constitucionais no processo. Agora, o nome mais provável para assumir a presidência do país é o vice-presidente Pedro Alliana (Partido Colorado).

A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou o pedido de impeachment contra ele. RELAÇÃO DE PEÑA COM O UENO

O Ueno ganhou espaço no mercado paraguaio após sua transformação de financeira em banco, em 2023. A oposição ao governo Peña, por sua vez, questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez –afirmando que os montantes ultrapassaram os limites regulatórios.

Congressistas de oposição falam em possível conflito de interesses e dizem que o governo manipulou regras e contou com o “acobertamento” do Banco Central do Paraguai, presidido por Carlos Carvallo. Ele foi presidente do Ueno até agosto de 2023, quando Peña o indicou para presidir o BC paraguaio.

A oposição também diz que Peña promoveu mudanças na lei de conflitos de interesses e permitiu a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previsão Social no Ueno Bank, acima dos limites estabelecidos pela legislação vigente. De acordo com o jornal ABC Color, o documento assinado por deputados de oposição afirma que o presidente paraguaio deve ser investigado pelos seguintes pontos:

conflito de interesses e cooptação do Estado; manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadoria do IPS;

exceder os limites de crédito no UENO Bank e encobrimento institucional do Banco Central; benefício patrimonial indevido e indícios de enriquecimento ilícito;

afeção da confiança no sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistémico. CRISE BANCÁRIA

O Ueno Bank tinha cerca de 3 milhões de clientes, o equivalente a metade da população paraguaia, estimada em cerca de 7 milhões de habitantes. Com o colapso, milhões de pessoas ficaram sem acesso aos recursos depositados na instituição.

Na 2ª feira (2.nov), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o procedimento de resolução do banco. A medida foi tomada depois que o órgão constatou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.

Diante da pressão, Peña pediu a renúncia do presidente do BC, Carlos Carvallo, que deixou o cargo na 3ª feira (3.nov). No dia seguinte, Peña anunciou a indicação do economista Raúl Vera Bogado para comandar o órgão e encaminhou ao Congresso o pedido de acordo constitucional para a nomeação.

O BC informou que a decisão resultou de meses de fiscalização. Em junho, a Superintendência de Bancos identificou créditos vinculados a empresas do grupo controlador da instituição e solicitou adequação das operações aos limites legais.

Os achados contribuíram para a deterioração dos indicadores de liquidez e para a necessidade de constituir provisões adicionais. Com a abertura do procedimento de resolução, as operações do banco foram suspensas e os depósitos ficaram temporariamente indisponíveis enquanto as autoridades definem os mecanismos de recuperação dos recursos.

Com isso, clientes e aposentados com recursos no Ueno Bank protestaram para exigir a devolução integral dos valores depositados. O ato começou de forma pacífica, mas evoluiu para confrontos quando um grupo tentou avançar em direção à sede do Congresso e foi contido pela Polícia Nacional.

Houve choques com as forças de segurança em Assunção, capital do país.

Publicação Original Poder 360 poder360.com.br
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