247 – O processo de impeachment contra o presidente do Paraguai, Santiago Peña, avançou no Congresso nesta quinta-feira (5), mesmo após o anúncio de sua renúncia, e terá novos desdobramentos nesta sexta-feira (6), quando o Senado dará continuidade ao julgamento. As acusações incluem possível favorecimento ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, com o qual o político da direita manteve vínculos acionários até março de 2025.
Deputados também questionam uma possível omissão do Banco Central na fiscalização da instituição, a relação entre seus dirigentes e o grupo empresarial, de acordo com o Metrópoles. Senado aprovou impeachment do chefe do Palácio de López.
Ele também foi preso. Investigadores também apuram suposta interferência no Instituto de Previdência Social (IPS).
Segundo as denúncias, o banco administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, inclusive previdenciários. O pedido de impeachment também aponta suspeitas de enriquecimento ilícito e possíveis prejuízos à credibilidade do sistema financeiro paraguaio.
Entre os pontos investigados estão os vínculos empresariais de Peña com o Grupo Vázquez, responsável pelo controle do banco digital, possíveis interferências em órgãos públicos e suspeitas de enriquecimento ilícito. Na quinta-feira (5), sete deputados responsáveis pela apresentação das acusações compareceram ao Senado para expor os fundamentos do pedido de impeachment.
Os parlamentares também apontaram possíveis responsabilidades do presidente na deterioração da confiança no sistema financeiro paraguaio. O banco atendia aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.
O Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do ueno na terça-feira (3), após constatar que o índice de solvência da instituição havia recuado para menos da metade do nível mínimo estabelecido pela legislação do país. A deterioração financeira ocorreu em meio à concessão de empréstimos a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, operações que comprometeram os recursos do banco.
O Índice de Solvência Geral (ISG) mede a capacidade de uma instituição de honrar seus compromissos financeiros de curto e longo prazo. Para isso, considera o conjunto de seus ativos, ou seja, os bens e direitos disponíveis para cobrir suas obrigações.
Vínculos com grupo controlador do Ueno Bank Uma das principais acusações contra Peña envolve sua relação com o Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que controlava o Ueno Bank.
O presidente manteve participação acionária em empresas ligadas ao grupo até março de 2025, o que levantou questionamentos sobre possíveis conflitos entre seus interesses privados e as responsabilidades do cargo. Os deputados sustentam que Peña teria favorecido os interesses do conglomerado e questionam sua atuação diante dos problemas financeiros da instituição.
O caso também envolve a relação entre integrantes do grupo empresarial e autoridades responsáveis pela supervisão do sistema bancário. Outra frente das acusações trata de uma possível omissão na fiscalização do banco pelo Banco Central do Paraguai (BCP).
Carlos Carvallo, que presidiu a autoridade monetária até recentemente, dirigiu o Ueno Bank até 2023. Os parlamentares também responsabilizam Peña pelos efeitos da crise sobre a credibilidade das instituições financeiras do país, diante da dimensão dos recursos envolvidos e da quantidade de clientes atingidos.
Recursos da Previdência e suspeita de enriquecimento ilícito O pedido de impeachment também inclui questionamentos sobre uma possível interferência do presidente no Instituto de Previdência Social (IPS), órgão responsável pela administração das aposentadorias e pela assistência à saúde dos trabalhadores paraguaios.
Segundo as denúncias apresentadas ao Congresso, o Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados à Previdência. Os deputados querem esclarecer as circunstâncias das operações financeiras e a atuação do governo na relação entre a instituição e os órgãos estatais.
As acusações incluem ainda indícios de enriquecimento ilícito. Os parlamentares apontam a necessidade de investigar eventuais vantagens financeiras obtidas por Peña em meio às relações empresariais envolvendo o grupo controlador do banco.
Crise bancária desencadeou protestos e pressão pela saída de Peña A intervenção também desencadeou manifestações nas ruas, com participantes exigindo explicações das autoridades e a saída do presidente.
Na quarta-feira (4), deputados apresentaram formalmente o pedido de impeachment. Na quinta-feira (5), Peña anunciou sua renúncia em um vídeo divulgado nas redes sociais.
Ao justificar a decisão, declarou: “Nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”. O anúncio não interrompeu a tramitação do processo.
A Câmara dos Deputados rejeitou o encerramento da iniciativa e aprovou a abertura do impeachment, encaminhando o caso ao Senado. Senado convocou presidente para apresentar defesa
O Senado paraguaio iniciou a análise do processo na quinta-feira, depois de receber as denúncias apresentadas pelos deputados. A sessão desta sexta-feira prevê a convocação de Peña para apresentar sua defesa diante dos parlamentares.
Após essa etapa, os senadores deverão examinar as provas, ouvir os argumentos das partes envolvidas e realizar uma votação nominal sobre o caso. O processo ocorre em meio à crise de confiança nas instituições paraguaias, agravada pela liquidação do Ueno Bank e pelas suspeitas envolvendo as relações entre o poder político, o sistema financeiro e grupos empresariais.
A análise parlamentar poderá estabelecer as responsabilidades políticas atribuídas a Peña e determinar os desdobramentos institucionais das acusações apresentadas contra o presidente.
Brasil 247