Endividamento das famílias atinge 50,1% e comprometimento de renda sobe

Endividamento das famílias atinge 50,1% e comprometimento de renda sobe - Foto
Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O orçamento das famílias brasileiras segue pressionado pelo custo do crédito no país, com o endividamento alcançando 50,1% em agosto e a fatia da renda comprometida com dívidas subindo para 29%, informa o Banco Central do Brasil. O cenário reflete um avanço no comprometimento financeiro da população ao longo do último ano.

Na comparação em 12 meses, o endividamento dos domicílios teve alta de 1,2 ponto percentual, enquanto a parcela da renda destinada ao pagamento de débitos aumentou 1,4 ponto percentual no mesmo período. Ambas as métricas registraram acréscimo de 0,2 ponto percentual na variação mensal de agosto.

Em meio ao peso do endividamento, as operações de crédito voltadas às pessoas físicas continuam em ritmo de expansão no Sistema Financeiro Nacional (SFN). O estoque total de crédito destinado às famílias somou R$ 4,7 trilhões em setembro, o que representa uma elevação de 0,1% no mês e de 9,9% no acumulado de doze meses.

Na modalidade de recursos livres para pessoas físicas — na qual as taxas são pactuadas livremente entre bancos e clientes —, a carteira somou R$ 2,6 trilhões no mês, com crescimento de 0,2% em setembro e alta de 10,0% em doze meses. O Banco Central destacou que esse movimento foi impulsionado principalmente pelo crédito pessoal consignado direcionado a trabalhadores do setor privado e a beneficiários do INSS, além dos financiamentos para aquisição de veículos.

Já a carteira de crédito direcionado para famílias manteve-se estável no mês (+0,0%) e acumulou expansão de 9,7% na comparação interanual. As condições de contratação, contudo, tornaram-se mais custosas para o consumidor.

A taxa média de juros cobrada no crédito livre para pessoas físicas subiu 0,6 ponto percentual em setembro, alcançando o patamar de 62,4% ao ano — uma alta de 3,7 pontos percentuais em doze meses. A autoridade monetária apontou que esse encarecimento resultou tanto da variação na composição das carteiras quanto do aumento direto das taxas, com destaque para a elevação de 6,8 pontos percentuais no juro do cartão de crédito rotativo e para a menor participação das compras à vista no cartão na composição do saldo.

A inadimplência entre as famílias mostrou sinais de pressão no segmento livre, subindo 0,1 ponto percentual no mês e 1,2 ponto em doze meses, atingindo 8,1% do saldo total. Quando considerada a carteira total de crédito às famílias (somando recursos livres e direcionados), o índice de atrasos acima de 90 dias ficou estável em 6,0% no mês de setembro, registrando contudo uma elevação de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

No crédito direcionado especificamente, a inadimplência das pessoas físicas situou-se em 3,4%, recuando 0,2 ponto no mês, mas subindo 1,0 ponto em doze meses. Do lado da captação e das economias das famílias, a caderneta de poupança encerrou o mês de setembro com saldo de R$ 1,0 trilhão, registrando uma saída líquida de R$ 9,4 bilhões no período, o que representou um recuo de 0,4% no seu volume total.

No panorama geral do SFN, o estoque total das operações de crédito atingiu R$ 7,4 trilhões em setembro, com avanço de 0,4% no mês e de 8,6% em doze meses. As concessões totais de novos empréstimos com ajuste sazonal apresentaram retração geral de 1,3% em setembro, embora a tomada de crédito pelas famílias tenha registrado um acréscimo de 0,6% no período, em contraste com o recuo de 3,4% verificado nas operações com empresas.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →