A inteligência artificial já chegou aos departamentos financeiros das empresas, mas transformar seu uso em processos efetivamente automatizados continua sendo um desafio. Um levantamento realizado pela fintech Barte, em parceria com a Comp e a Woba, mostra que apenas 11% das áreas financeiras avaliadas alcançaram o terceiro estágio de maturidade em IA, numa escala de cinco níveis.
Nenhuma chegou aos dois patamares mais avançados. A pesquisa, conduzida entre junho e agosto deste ano com mais de 300 executivos e lideranças de diferentes áreas corporativas, revela uma distância considerável entre o uso individual de ferramentas e sua integração às operações das companhias.
No departamento financeiro, 89% das áreas analisadas permanecem nos dois primeiros estágios de maturidade, caracterizados por aplicações ainda limitadas ou pouco padronizadas. “As empresas colocaram a IA na mão das pessoas antes de colocar a IA dentro do processo, e é aí que a maturidade emperra em qualquer área que se olhe”, afirma Raphael Dyxklay, presidente da Barte.
Segundo o executivo, o principal obstáculo não está necessariamente na disponibilidade da tecnologia, mas na ausência de métodos para incorporá-la à rotina operacional. Continua após a publicidade
O levantamento identificou diferenças relevantes entre os setores. Nas empresas de tecnologia e software como serviço, 74% das áreas financeiras avaliadas já alcançaram o segundo nível de maturidade.
Em indústria, varejo e logística, por outro lado, 90% permanecem no primeiro estágio. Atividades como conciliação bancária e fechamento financeiro continuam entre os principais desafios de automação.
Continua após a publicidade Apesar das limitações, o financeiro aparece como a área mais avançada entre as três analisadas.
Em recursos humanos, 92% das equipes avaliadas não ultrapassaram o primeiro nível nos testes objetivos, enquanto 80% das operações de facilities também permanecem nesse estágio. Os resultados indicam que, embora o uso de IA esteja se disseminando, sua adoção como parte estruturante da gestão empresarial ainda é restrita.
A pesquisa reúne três levantamentos independentes e não deve ser interpretada como um censo representativo de todas as empresas brasileiras. Publicidade
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