Nova abordagem une engenharia e natureza para cortar emissões e armazenar dióxido de carbono em estruturas urbanasConteúdo gerado por IA O planeta está a caminho de um aquecimento global de 2,8°C até o fim deste século, caso as políticas climáticas atuais sejam mantidas. O alerta é do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que publicou nesta quinta-feira (22) a edição de 2026 do Emissions Gap Report, relatório que avalia a diferença entre os compromissos climáticos dos países e as reduções de emissões necessárias para conter o aumento da temperatura global.Segundo o documento, as emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em comparação com os níveis de 2025.
As medidas são necessárias para limitar a ultrapassagem temporária do limite de 1,5°C e permitir que a temperatura média global retorne a esse patamar até o fim do século.A publicação destaca que a meta de evitar completamente a ultrapassagem de 1,5°C já não é considerada viável, após décadas de reduções insuficientes nas emissões.
Ainda assim, o relatório aponta que é possível limitar o pico de aquecimento a aproximadamente 1,7°C ou 1,8°C em meados do século e retornar a 1,5°C até 2100.Promessas climáticas são insuficientesAs emissões globais de gases de efeito estufa chegaram a 58,4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e) em 2025.
Apesar do avanço de fontes renováveis, o volume permanece distante da trajetória necessária para cumprir as metas do Acordo de Paris.As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) são os compromissos climáticos assumidos pelos países no âmbito do Acordo de Paris para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Segundo o relatório do PNUMA, mesmo que todos os compromissos nacionais sejam cumpridos, as emissões globais devem cair apenas entre 5% e 8% até 2030 e entre 11% e 15% até 2035, em comparação com os níveis de 2025. Leia também: Brasil reduz emissões de gases do efeito estufa pelo terceiro anoAs estimativas variam conforme o nível de implementação das medidas.
Se os governos mantiverem apenas as políticas atualmente em vigor, a temperatura global poderá aumentar 2,8°C. Caso cumpram os compromissos climáticos incondicionais, a projeção é de 2,7°C.
Já a execução de todas as metas nacionais, incluindo as condicionais, reduziria a estimativa para 2,6°C.No cenário mais otimista, que considera também o cumprimento das metas de neutralidade de carbono de longo prazo, o aquecimento poderia ser limitado a 2,1°C. Mesmo assim, o resultado ficaria acima do limite de 2°C estabelecido pelo Acordo de Paris.Metas globais de emissãoGerada por IA Quais são os obstáculos para eliminar o uso de combustíveis fósseis?A redução das emissões globais enfrenta obstáculos políticos, econômicos e tecnológicos que dificultam a transição para fontes de energia menos poluentes.
Entre os principais entraves estão a resistência de grandes emissores, a manutenção de incentivos financeiros aos combustíveis fósseis e a dependência de infraestruturas baseadas em carvão, petróleo e gás natural.Um dos fatores apontados é o recuo de compromissos climáticos de grandes economias.
Entre eles está a mudança na política climática dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, marcada pelo afastamento de compromissos internacionais e pelo enfraquecimento de medidas domésticas de combate às mudanças climáticas.Segundo o documento, essas decisões elevaram as projeções globais de emissões em cerca de 0,9 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente em 2030 e 1,5 bilhão de toneladas em 2035, em comparação com estimativas anteriores.
O impacto pode representar um aumento adicional de 0,1°C a 0,2°C na projeção de aquecimento global.As crises geopolíticas também podem atrasar a transição energética. Conflitos e interrupções no fornecimento de energia levam governos a adotar medidas emergenciais para conter os preços, incluindo a reativação de usinas a carvão ou o adiamento do fechamento de instalações desse tipo.Setores como a indústria pesada, a aviação e o transporte marítimo também enfrentam dificuldades para reduzir as emissões.
A substituição de combustíveis fósseis nessas atividades exige tecnologias específicas, investimentos caros e soluções que ainda apresentam limitações de escala ou viabilidade econômica. Além disso, o aumento da demanda global por energia contribui para manter elevada a produção de petróleo e gás, dificultando a redução das emissões no ritmo necessário para cumprir as metas climáticas internacionais.Energia renovável é apontada como oportunidadeApesar do cenário, o PNUMA destaca que a expansão das fontes renováveis e o avanço de políticas climáticas em diferentes países oferecem oportunidades para acelerar a transição energética.O relatório recomenda ampliar a capacidade global de geração de energia renovável, aumentar a eficiência energética e reduzir a dependência de carvão, petróleo e gás.
Também aponta a necessidade de acelerar a eletrificação dos transportes, da indústria e dos edifícios, além de reduzir as emissões de metano.Para que a temperatura global retorne a 1,5°C até 2100, o documento estima ainda que será necessário remover cerca de 320 bilhões de toneladas de CO₂ da atmosfera ao longo do século.O PNUMA ressalta que a ampliação de políticas climáticas bem-sucedidas e a implementação imediata de medidas de mitigação podem limitar a ultrapassagem temporária de 1,5°C.
Para isso será necessário acelerar os cortes de emissões, ampliar a geração de energia renovável e remover grandes volumes de dióxido de carbono da atmosfera ao longo do século.
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