Elon Musk gastou mais de 200 milhões de dólares em eleições no Texas e perdeu. James Talarico, democrata, venceu a corrida ao Senado por mais de 12 pontos e tornou-se o primeiro senador democrata do estado desde 1988.
Os dados sobre o financiamento da campanha são avançados pelo The Verge. Os números são difíceis de ignorar.
Mais de 573 milhões de dólares foram gastos em publicidade entre Talarico, o republicano Ken Paxton e os PACs alinhados. Musk, sozinho, terá investido mais de 445 milhões de dólares a apoiar republicanos em todo o ciclo eleitoral de 2026, o que o torna o maior doador da história política americana num único ciclo.
A maior fatia foi para o Texas, estado onde vivem e operam a Tesla e a SpaceX. O AndroidGeek já tinha abordado este contexto em Tesla fecha compra secreta de hardware de IA por 1,95 mil milhões: A Tesla confirmou uma compra de hardware de IA avaliada em 1,95 mil milhões de dólares, sem comunicado e sem revelar o alvo da aquisição.
A campanha de Paxton angariou apenas 22,3 milhões de dólares em donativos diretos. Talarico recolheu 146 milhões junto de eleitores.
A diferença foi compensada com o dinheiro de Musk: mais de 168 milhões canalizados para super PACs que apoiavam Paxton e 34,7 milhões gastos pelo America PAC do próprio Musk no estado. No total, mais de 200 milhões de dólares num só estado.
Não chegou. Talarico venceu por uma margem confortável e o governo do Texas também mudou de mãos: a democrata Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott, outro beneficiário de fundos de Musk.
O resultado é uma inversão política rara num estado que os republicanos controlam há décadas. Talarico construiu a campanha em torno de uma ideia simples: a de que a corrida era uma luta entre os ultra-ricos e todos os outros.
Em comícios, apontou diretamente o dedo a Musk. “Elon Musk está a tentar comprar este lugar no Senado”, disse, segundo o The Verge.
“Se viste um anúncio de ataque na tua televisão, foi o Elon. Se recebeste mentiras na caixa de correio, foi o Elon.”
Os anúncios financiados por Musk não se centraram nos temas que mais preocupavam os eleitores. Segundo a análise citada, muitos focaram-se em questões culturais, em particular em pessoas transgénero.
Um anúncio no Facebook, com um custo entre 15 mil e 20 mil dólares, apelava a derrotar “Talarico e a sua agenda trans radical”. A ligação pessoal de Musk ao tema é conhecida: está afastado da filha mais velha, que é transgénero.
Esta estratégia pode ter funcionado contra Paxton. Ao transformar Musk no rosto da campanha republicana, Talarico conseguiu colar o candidato ao bilionário.
A relação entre os dois é antiga. Paxton, procurador-geral do Texas desde 2015, lançou várias investigações a organizações que criticam Musk, segundo a Wired.
Quando Musk processou o Media Matters, Paxton abriu uma investigação ao site. Quando Musk avançou com um processo antitrust contra uma federação de publicidade, seguiu-se uma investigação de Paxton.
“Elon Musk quer a nossa terra”, disse Talarico num comício em El Paso. “Quer a nossa água.
Quer os nossos impostos. Quer o seu próprio senador dos Estados Unidos.”
Para os leitores portugueses, a ligação direta é limitada. Não há preços, produtos ou serviços em causa.
Mas há uma consequência indireta que vale a pena acompanhar: o papel de Musk como ator político e a forma como usa as suas plataformas. O X, antigo Twitter, foi o palco onde endorsou Paxton, alegando que “o destino do Texas e da América está em jogo”.
Depois da derrota, Musk apagou uma publicação de “Vote red early!” do dia das eleições e quase não comentou os resultados, limitando-se a uma piada sobre colocar centros de dados no espaço. Para quem costuma publicar de forma compulsiva, o silêncio é notório.
Os democratas venceram também no Ohio, onde o America PAC de Musk gastou 10,4 milhões de dólares, e no Michigan, onde gastou 9,8 milhões. A única vitória republicana foi na Florida, e por margem estreita.
O padrão sugere que o dinheiro de Musk, por si só, não está a mover eleitores. Musk perdeu cerca de meio bilhão de dólares nesta tentativa.
Para o homem mais rico do mundo, é menos de meio por cento do seu património. A pergunta que fica é se a derrota o levará a moderar a intervenção política ou a duplicar a aposta.
As fontes não permitem responder. O que é facto é que, no Texas, o dinheiro não comprou votos.
E isso, num ciclo eleitoral em que as despesas bateram recordes, é a notícia que importa reter. Leiam as últimas notícias do mundo da tecnologia no Google News , Facebook e X (ex Twitter) .
Android Geek