O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição pelo Republicanos, afirmou nesta terça-feira (15) que o eleitor está “descrente” em razão das denúncias contra políticos e magistrados ligados aos escândalos do caso Master. Ele foi entrevistado no SP1, da TV Globo. Na véspera, foi a vez de Fernando Haddad, postulante ao Palácio dos Bandeirantes pelo PT. Tarcísio foi questionado sobre os momentos políticos conturbados, a 20 dias das eleições, devido aos escândalos que atingem, entre outros, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PL.
– Acho que não afeta (a nossa eleição), não. A gente tem defendido desde o primeiro momento uma investigação ampla. As pessoas precisam ter noção do que está acontecendo. Acho que a gente vive um momento de exaustão ética. A gente vê o eleitor até frio, o eleitor descrente. A gente precisa resgatar a crença nas boas políticas públicas, nas boas propostas e não no que está acontecendo. Acho que a gente precisa sair daquela fase do corporativismo, aquela fase do silêncio, para ingressar numa fase de transparência, de apuração, de responsabilização – disse Tarcísio.
Ele afirmou também que todas as ações de investigações, independentemente do alvo, precisam se tornar claras e públicas.
– Tudo tem que vir às claras para que o eleitor possa tomar suas decisões e para que a gente possa seguir caminhando na direção correta. Então eu defendo ampla investigação, transparência, que tudo vem à tona e que o eleitor possa saber, que o brasileiro possa saber o que está acontecendo. Está na hora de passar o Brasil a limpo – afirmou o candidato à reeleição. Enquanto Tarcísio era entrevistado na TV Globo, o STF realizava sessão para analisar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre as relações entre Moraes e Daniel Vorcaro, cuja relatoria está a cargo de André Mendonça. Na véspera, Moraes disse que o colega promoveu uma investigação "inconstitucional e ilegal" sobre as mensagens que recebeu de Daniel Vorcaro e que a ação aconteceu por "vingança". Moraes também nega ter sido autor das mensagens identificadas em relatório da PF e questiona que anotações encontradas no celular do banqueiro foram destinadas a ele. Já Mendonça afirma que não houve ilegalidades sobre a investigação contra Moraes.
Mudanças nas plataformas digitais da educação Alvo de críticas da oposição, de educadores e do candidato Fernando Haddad, o modelo de plataformas digitais nas escolas estaduais foi alvo de pergunta endereçada a Tarcísio, e o governador afirmou que poderá rever o modelo.
O sistema foi uma das principais apostas da gestão atual da Secretaria da Educação para melhorar índices de avaliações do ensino, mas é alvo de questionamentos quanto à chamada liberdade de cátedra, entre outros. Em outubro do ano passado, o Ministério Público de São Paulo chegou a recomendar que o governo deixasse de exigir o uso de plataformas educacionais nas escolas estaduais paulistas em um prazo de 30 dias. Como a medida não foi atendida, o MP ingressou na Justiça com uma ação civil pública, ainda em tramitação.
– Pretendo (rever o modelo). A gente aceita a crítica e quando a gente analisa as plataformas, obviamente, você disponibiliza uma série de plataformas para ser um recurso auxiliar e ajudar no desenvolvimento. Por exemplo, a gente disponibiliza algumas plataformas de idioma, a gente disponibiliza para quem está se preparando para o Enem. Agora, a carga de obrigatoriedade de exercícios ou de entrada nessas plataformas tem gerado um certo descontentamento, porque tira a liberdade eventualmente do professor. Essa crítica a gente está absorvendo, está recepcionando e a gente deve harmonizar melhor a disponibilidade de novas ferramentas com a liberdade que a gente precisa ter por educador em sala de aula – reconhece o governador.
Tarcísio aparece com uma vantagem de 15 pontos percentuais na pesquisa Quaest divulgada no dia 7 de setembro — marcou 42% das intenções de voto, contra 27% de Haddad, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. No Datafolha, a diferença é de 20 pontos percentuais, 49% a 29%, em favor do candidato do Republicanos.
O Globo