A eleição de três integrantes do PL para outros cargos públicos vai provocar mudanças na composição da Câmara de Niterói a partir do próximo ano. Douglas Gomes foi eleito deputado federal, Daniel Marques conquistou uma vaga na Alerj e Fernanda Louback foi eleita vice-governadora na chapa de Douglas Ruas.
Com as saídas dos três vereadores, as vagas deverão ser ocupadas pelos suplentes Eduardo Paiva, Wallace Coelho, conhecido como Pixote, e Bruno Guimarães. A bancada continuará sob a liderança de Allan Lyra.
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Uma das lideranças do PL no município, Daniel, advogado e especialista em gestão ambiental, se consolidou na política local com a defesa dos direitos dos animais, da preservação ambiental e da fiscalização dos recursos públicos. Ao avaliar o desempenho eleitoral da sigla, Daniel atribui o resultado ao trabalho conjunto dos vereadores e à atuação em questões cotidianas da população, como a oferta de medicamentos e os problemas na rede municipal de ensino.
— Ao contrário do que muitos dizem, o PL é um partido amplo, que tem de pessoas ligadas à ala mais bolsonarista até temas de meio ambiente e educação. Pautas que eram tradicionalmente ligadas à esquerda hoje fazem parte da atuação do partido.
Nossa votação mostra que a base da cidade está conseguindo dialogar com a população. Quando existe um problema de falta de medicamento ou problemas em escolas, por exemplo, quem está lá? São os vereadores do PL, fiscalizando e denunciando o descaso público.
Já a base do governo, não; ela é fisiologista, está ligada ao interesse de buscar e manter cargos — diz. Embora as próximas eleições municipais estejam previstas apenas para 2028, Daniel avalia que o grupo político está mais estruturado e vê possibilidade de disputar o comando da prefeitura.
— Nós elegemos o governador, um senador e deputados. Vamos construir consenso sem pressa nem vaidade.
O tempo deste governo atual já passou — adianta.
Novas alianças Além dos mandatos conquistados, o grupo reúne outros nomes que podem ampliar sua participação na política municipal.
Laís Jordy (PL), mulher do senador Carlos Jordy, não conseguiu se eleger deputada federal, mas recebeu 6.555 votos em Niterói. Bruno Lessa, que se filiou recentemente ao PL, somou 15.328 votos na cidade.
Conhecido na política local, Lessa foi vereador entre 2013 e 2020 e disputou a prefeitura em 2024 pelo Podemos. Também integrou a equipe de Douglas Ruas na Secretaria de Estado das Cidade.
A oposição ao governo municipal ganhou ainda o reforço de Fabiano Gonçalves, vereador e presidente do Republicanos em Niterói. Ele disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleito.
Na cidade, recebeu 2.647 votos. — Formaremos um grande bloco de direita — disse.
Outro vereador que participou da campanha de Douglas Ruas ao governo estadual foi Michel Saad (Podemos). A proximidade com o grupo levantou a possibilidade de uma filiação ao PL, hipótese que o parlamentar não descartou, embora ressalte que ainda não há definição.
— Depois de trabalhar na organização da campanha do Douglas Ruas e Jordy aqui em Niterói, meu foco agora é continuar trabalhando para eleger Flávio Bolsonaro, potencializando a votação e o crescimento da oposição na cidade mirando as eleições municipais de 2028. Como a janela partidária para quem tem mandato só permite qualquer mudança em março de 2028, ainda está cedo para cravar qualquer movimento.
A única certeza que temos é que Niterói vai viver um novo momento. Já temos conversas iniciadas e articulação intensa para ampliação da bancada de oposição — declarou.
Da Câmara ao governo Fernanda Anchieta Louback, vereadora em primeiro mandato, foi eleita vice-governadora do Rio de Janeiro na chapa de Douglas Ruas após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de anular os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos).
A chegada ao Executivo estadual ocorre menos de dois anos depois de ela conquistar seu primeiro cargo eletivo, no pleito municipal de 2024, depois de duas tentativas eleitorais sem sucesso, em 2020 e 2022. Antes de entrar na política, Fernanda teve trajetória profissional como atriz, com participação no programa de humor “Zorra total”, e modelo, além do título de Miss Rio de Janeiro.
Natural de Niterói, Fernanda tem 46 anos. A defesa das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e de suas famílias ocupa espaço central em sua atuação política.
Fernanda se apresenta como mãe atípica e afirma que a experiência pessoal direcionou seu envolvimento com políticas de inclusão e apoio às famílias. Na Câmara, preside a Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Juventude, do Idoso e da Pessoa com Deficiência.
O Globo