Em 1996, Wellington “Megaton” Dias conquistou a medalha de prata na primeira edição do Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu, no Rio de Janeiro. Quase três décadas depois, em 2025, o brasileiro voltou a se inscrever na categoria adulto faixa-preta, desta vez como faixa-coral, para enfrentar Andy Murasaki.
A trajetória do atleta, que participou de todas as edições do Mundial desde sua criação, é o tema do primeiro episódio de Mat Stories, série documental produzida pela Kingz em parceria com a VF Comunica. Lançado em setembro, durante a semana do Mundial Master, o episódio foi dirigido, filmado e conduzido pelo jornalista Vitor Freitas, com participação dos diretores de criação Beatriz Lina e Gabriel Mendes.
A produção está disponível gratuitamente no canal da Kingz no YouTube, com entrevistas em inglês. A história começa antes da chegada de Megaton ao jiu-jitsu.
Ainda no judô, sob orientação do professor Rogério Camões, Wellington ganhou o apelido por causa da força com que projetava seus companheiros de treino. Foi também nessa época que se aproximou de Royler Gracie, seu vizinho e parceiro de surfe, que o convidou para treinar na Gracie Humaitá.
Em 1985, aos 18 anos, recebeu de Royler a faixa-preta. Posteriormente, Megaton mudou-se para Phoenix, nos Estados Unidos, onde abriu a primeira academia de jiu-jitsu do Arizona.
Também fundou a Federação de Jiu-Jitsu do Arizona, entidade que continua presidindo. Pai da lutadora Mackenzie Dern, ele acompanhou o desenvolvimento da modalidade no país e permaneceu ativo nas competições mesmo depois de completar quatro décadas como faixa-preta.
O documentário aborda essas diferentes fases da carreira, incluindo a experiência como professor e a decisão de continuar enfrentando adversários mais jovens. A repercussão do episódio contou com manifestações de atletas como Renzo Gracie e André Galvão.
Jorge Britto, por sua vez, recordou um conselho recebido de Megaton quando ainda era adolescente, durante um período de preparação para o Mundial no Brasil. “Aprenda a ensinar e aprenda a falar inglês”, teria dito Megaton, segundo Britto, que atribui importância à orientação em sua trajetória profissional.
“A ideia era ir além dos títulos e resultados e mostrar como ele chegou até aqui, o que marcou a trajetória dele e por que ele se tornou uma figura tão importante no esporte. O Megaton inspira pela carreira e também pela energia, pela alegria e pelo jeito positivo de levar a vida”, afirmou Vitor Freitas.
A proposta da série é apresentar histórias de atletas e professores que participaram do desenvolvimento do jiu-jitsu em diferentes países. Segundo Freitas, outros personagens já estão sendo considerados para os próximos episódios.
“O Jiu-Jitsu tem muitas histórias que merecem ser contadas, e o Megaton era o jeito perfeito de começar. Isso é só o começo”, acrescentou.
Fundada em 2011, em Winnipeg, no Canadá, e instalada em San Diego, nos Estados Unidos, desde 2014, a Kingz tem como CEO o faixa-preta da Gracie Humaitá Bruno Munduruca. Para ele, a produção também busca registrar relatos de personagens que acompanharam a expansão internacional da modalidade.
“Em parceria com a VF Comunica, estamos dando vida às histórias marcantes das pessoas que ajudaram a fazer do Jiu-Jitsu o que ele é hoje”, afirmou. O episódio Mat Stories: Megaton Dias pode ser assistido no canal da Kingz no YouTube.
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