Ela passou 24 horas sem o algoritmo do Instagram – e aprendeu estas 5 lições

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Como seria usar o Instagram sem um algoritmo escolhendo o próximo vídeo, meme ou publicação que aparece na tela? A jornalista Caitlin Cassidy, do The Guardian, decidiu fazer o teste: durante 24 horas, desligou as recomendações algorítmicas da plataforma e passou a navegar apenas por publicações das contas que seguia, exibidas em ordem cronológica. O experimento foi motivado por uma discussão que está ganhando força na Austrália. O governo do país anunciou reformas que pretendem obrigar plataformas de redes sociais a permitir que os usuários optem por não utilizar feeds definidos por algoritmos. No Instagram, Cassidy descobriu que uma opção semelhante já existe. Ao tocar no logotipo do aplicativo na parte superior da tela inicial, é possível selecionar um feed limitado às contas seguidas pelo usuário e organizado cronologicamente. Para tornar o experimento ainda mais próximo da experiência das redes sociais no início da década de 2010, ela foi além: deixou de seguir qualquer conta que não pertencesse a alguém que tivesse conhecido pessoalmente. Cerca de 100 perfis foram eliminados, incluindo páginas de notícias, políticos, influenciadores, contas de memes e chefs. Depois de 24 horas, a experiência rendeu algumas conclusões sobre o papel que os algoritmos passaram a desempenhar na maneira como usamos as redes sociais. 1. Sem o algoritmo, o conteúdo acaba rapidamente A primeira surpresa veio poucos minutos depois. Com apenas pessoas conhecidas no feed e sem recomendações algorítmicas, Cassidy levou cerca de dez minutos para consumir todo o conteúdo disponível. Pela primeira vez em anos, o Instagram mostrou a ela a mensagem de que havia chegado ao fim das publicações das contas seguidas. Não havia mais posts publicados por esses perfis nos 30 dias anteriores. Nas horas seguintes, ela continuou abrindo o aplicativo instintivamente e atualizando a página, mas não havia nada novo para consumir. A experiência a fez questionar se as redes sociais eram, originalmente, muito mais uma ferramenta de comunicação do que uma fonte permanente de distração. 2. O impulso de abrir o aplicativo continuou existindo Mesmo sem encontrar novidades, Cassidy percebeu que continuava clicando no Instagram automaticamente ao longo do dia. O comportamento mostrou a ela o quanto o ato de abrir a rede social havia se tornado instintivo. A diferença é que, sem um fluxo interminável de recomendações, o gesto deixava rapidamente de ser recompensado com novos conteúdos. Durante o intervalo para o almoço, em vez de abrir os aplicativos, ela leu um livro e observou o que acontecia ao seu redor. A experiência foi agradável a ponto de fazê-la considerar se a solução não seria simplesmente abandonar as redes sociais, em vez de apenas abandonar seus algoritmos. 3. Um feed só de amigos não necessariamente parece mais pessoal Cassidy esperava encontrar uma experiência mais próxima dos primeiros anos do Instagram ao restringir seu feed a pessoas que conhecia. Não foi exatamente o que aconteceu. Segundo ela, mesmo um feed teoricamente formado por amigos e familiares continuava parecendo vazio e impessoal. Grande parte das pessoas utilizava seus perfis para autopromoção: divulgar algo que haviam publicado, projetos, parcerias com marcas ou tentativas de viralizar. As exceções, segundo Cassidy, eram sua mãe e as amigas dela, que ainda publicavam fotos pessoais de maneira espontânea. Para a jornalista, isso era reconfortante -- mas também entediante. 4. O algoritmo conhece muito bem seus interesses Antes do teste, Cassidy reconhecia que gostava de seu algoritmo. O sistema havia criado um feed altamente ajustado aos seus interesses. Segundo um resumo produzido pela própria inteligência artificial do Instagram sobre suas recomendações, ela demonstrava interesse por eventos comunitários, animais, gastronomia de Sydney e conteúdos relacionados à Austrália. Sua página de recomendações reunia animais, comida e fofocas sobre reality shows. Ao retornar ao feed algorítmico, a sensação de Cassidy era clara: o sistema a conhecia muito bem. 5. Conteúdo perfeitamente personalizado também pode ser o problema A principal conclusão do experimento não foi que o algoritmo funcionava mal. Pelo contrário: ele era extremamente eficiente em encontrar conteúdos capazes de prender sua atenção. E justamente aí estava o incômodo. Cassidy passou a questionar se realmente precisava gastar seu tempo vendo cachorros gerados por inteligência artificial dançando no chuveiro ou um homem tentando comer um sorvete gigantesco. Depois das 24 horas sem recomendações algorítmicas, sua avaliação foi dura: na visão dela, esse fluxo constante de conteúdo estava anestesiando seu cérebro e transformando seus próprios pensamentos em “slop” — termo usado na internet para descrever conteúdo digital de baixa qualidade produzido em massa. Mais Lidas

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