O fenômeno climático El Niño que ocorre atualmente é considerado sem precedentes pela agência meteorológica britânica e é tido como o mais forte já registrado pela agência japonesa. Por outro lado, a agência americana afirma que ainda não superou eventos passados. Como isso é possível? A resposta está na forma como cada instituição mede a intensidade do El Niño. Existem diversas metodologias para mensurar esse fenômeno, o que torna difícil a comparação direta entre os dados. Segundo a climatologista Emily Becker, da Universidade de Miami, “estamos diante de um El Niño muito forte”. Somente ao término do fenômeno será possível avaliar sua verdadeira magnitude e sua posição na história. O que é El Niño? A Oscilação Sul-El Niño, conhecida como Enso, é um fator natural que influencia o clima global. Normalmente, os ventos alísios sopram de leste para oeste ao longo do Equador, movendo as águas quentes da América do Sul para a Ásia e permitindo a ascensão de águas frias do oceano. Quando o El Niño ocorre, esse padrão se inverte, fazendo com que ventos alísios enfraqueçam e as águas quentes retornem para a costa das Américas, alterando o clima mundial com efeitos diversos, como aumento ou queda de temperaturas e variações de umidade em várias regiões. Diferenças nas medições A agência britânica baseia sua análise nas temperaturas da superfície do mar no Pacífico, afirmando que essas temperaturas já ultrapassaram os níveis de episódios passados. Porém, medir apenas a temperatura literal é uma forma de observar o fenômeno. Outra abordagem comum é medir a anomalia, ou seja, o quanto as temperaturas desviam de uma média considerada normal. A agência japonesa monitorou a região Niño 3 no Pacífico oriental e concluiu que este é o El Niño mais forte que eles já registraram, superando dados desde 1949. Já os americanos acompanham a região Niño 3.4, no Pacífico centro-oriental, e consideram um episódio de El Niño quando a temperatura fica pelo menos 0,5°C acima da média e a atmosfera apresenta mudanças associadas, como o enfraquecimento dos ventos alísios. O impacto das mudanças climáticas A definição do que é “normal” tem variado com o tempo. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e outras organizações usavam o Índice Oceânico El Niño (ONI), que compara temperaturas a uma média de 30 anos atualizada a cada cinco anos, acompanhando o aquecimento global. Contudo, devido ao aquecimento acelerado dos oceanos, o NOAA passou a usar o Índice Oceânico Relativo El Niño (Roni), que mede a temperatura relativa do Pacífico centro-oriental em comparação com o restante do oceano tropical. Com esse novo índice, ainda não é claro se o atual episódio superará os anteriores em intensidade. Para isso, a anomalia Roni deve atingir pelo menos 2,5°C durante três meses para superar eventos notáveis das décadas passadas. A NOAA acredita que essa possibilidade é alta, porém não garantida. Emily Becker ressalta que, independentemente da forma como é medido, este episódio oferece uma oportunidade valiosa para entender um fenômeno climático tão poderoso, especialmente em um mundo que está ficando cada vez mais quente. O post El Niño intenso: entenda o que dizem as medições apareceu primeiro em Notícias do Planalto.
El Niño intenso: entenda o que dizem as medições
Fonte da notícia:
Noticias do Planalto
Noticias do Planalto
Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?
Acessar matéria no site Noticias do Planalto